
PERIGO! A palavra surgiu, alarmantemente, na mente de Ben Skywalker, arrancando-o, assim, do confronto onírico com Darth Vader antes do Lorde Sith derrotá-lo. Perigo. Não havia qualquer dúvida: a palavra tinha sido proferida pela voz de Vestara, uma última mensagem antes de a sua presença sumir, quase inteiramente, da Força, restringindo-se a uma minúscula fagulha de vida — o suficiente para que Ben conseguisse determinar o seu paradeiro.
O Jedi apanhou o seu sabre-de-luz, cobriu-se com um manto negro, algo que poderia muito bem ter sido retirado do guarda-roupa do Grande Mestre, abriu-se para a Força, permitindo ser conduzido por esta, percorreu o mesmo trajeto seguido por Vestara há alguns instantes, arrastou a parede falsa com um meneio de mão impaciente e um tanto violento, desceu a escadaria em passos velozes, quase saltos, e, por fim, descobriu-se na entrada da cripta de onde pôde vislumbrar, claramente, a sua companheira e o estado na qual ela encontrava-se: algemas prendiam os seus braços e as suas pernas e o seu pescoço era contornado por uma rígida corrente vinculada ao trono ocupado pelo homem mascarado que era o Lorde Nazler naquele momento. Era, de certo modo, um eco da situação da Princesa Leia Organa-Solo durante a sua brevíssima prisão pelo famigerado Jabba, o Hutt há quarenta e três anos.
— Skywalker — disse Lorde Nazler. Sua voz ríspida, amplificada pela Força, parecia vir de todo lugar e, ao mesmo tempo, de lugar nenhum. — Eu posso sentir a sua fúria — o Alto-Sacerdote falou. — Venha a mim, Skywalker — evocou-o. — Ataque-me, salve a sua companheira, deixe as suas emoções fluírem livremente.
Uma luz azulada iluminou, precariamente, a cripta.
— Você pediu por isso.
Ben cobriu a distância até o Lorde Nazler com um salto assistido pela Força, posicionou o seu sabre-de-luz para desferir um golpe fatal que teria rasgado, diagonalmente, o pescoço do Alto-Sacerdote se não fosse pela intervenção de Vestara, a qual conseguiu, por um momento, libertar-se da supressão mental e, em plenos pulmões, gritou: “Ben! NÃO!”.
O som de Skywalker indo ao chão após ter retraído o ataque no último instante e daí ter perdido o seu equilíbrio ecoou pela cripta. O Jedi ergueu-se de imediato, ameaçou o homem mascarado com a sua lâmina azul e, mentalmente, procurou recuperar a calma, uma sábia decisão, pois agir desprovido de serenidade apenas contribuiria para a sua derrota e, possivelmente, sua corrupção pelo Lado Sombrio da Força cuja presença era intensíssima naquele lugar e, acima de tudo, naquele homem.
— Será preciso feri-la para desencadear o que há de melhor em você, jovem Skywalker? — uma mão do Alto-Sacerdote puxou, impiedosamente, a sua extensão da corrente, apertando o metal ao redor do pescoço de Vestara e, por consequência, machucando-a de modo que sua pele secretou gotículas de sangue. — Salve-a, Skywalker, você é a sua única esperança.
As palavras do Alto-Sacerdote alcançavam os seus ouvidos, todavia não a sua consciência, a qual estava, imperturbavelmente, focada em Vestara; nos seus belíssimos olhos castanho-escuros e na mensagem transmitida pelo seu olhar — se ele pretendia firmar-se vitorioso, teria de suprimir o amor que nutria para com ela, ou então este sentimento causaria a sua perdição... A cripta perdeu a sua iluminação azulada.
— Eu admito estar impressionado com essa técnica, milorde — disse Ben, agora sereno. — Nem Darth Caedus descobriu como alterar, totalmente, a sua presença na Força.
— Impressionante — Lorde Nazler, agora dispondo da mesma entonação da sua reunião como Alto-Sacerdote, comentou. — Muito impressionante — salientou. — De que modo solucionou o mistério?
— Eu? — Skywalker soltou uma risadinha. — O mérito pertence à Vestara, ela quem encaixou as peças do quebra-cabeça para mim. A propósito, bela máscara — acrescentou.
— É um valioso artefato Sith escondido há milênios aqui em Atoa onde permaneceu dormente até, finalmente, ser despertada pela presença de um autêntico Lorde Sith: seu ancestral, Darth Vader — o portador da Máscara de Darth Nihilus elucidou.
— Vader, certamente, era um homem ocupado.
— Aquele que possuir a máscara terá acesso a todo o conhecimento e, portanto, poder do seu criador. Eu sou grato ao seu ancestral por ter me garantido a chance de posse desse artefato e, como um sinal de reconhecimento disso, eu proponho aceitá-lo como meu legítimo aprendiz Sith, jovem Skywalker.
A voz de seu pai ecoou na mente de Ben, contando uma história antiga da sua juventude: ele, na Sala do Trono da segunda Estrela da Morte, sendo instigado pelo Imperador Palpatine, o maquiavélico Darth Sidious, a ceifar a vida de um Darth Vader derrotado e, então, substituí-lo.
Lorde Nazler inclinou a cabeça para o lado, apoiando o seu queixo na mão direita, um gesto que indicava desapontamento e não uma fúria descontrolada: a possibilidade de disparar uma rajada de raios azul-elétricos contra Ben era, essencialmente, nula.
— É o que nós veremos, jovem Skywalker.
E, com um estalo de dedo, o Alto-Sacerdote convocou os seus acólitos, sete destes dessa vez, atoanos sensíveis à Força cujas suas mentes foram, vorazmente, devoradas pelo portador da Máscara de Darth Nihilus, transformando-se, desse modo, em conchas vazias, nada senão extensões da vontade do seu mestre sombrio. Os sete acólitos organizaram-se em um semicírculo ao redor de Skywalker.
— Eu acredito que me confrontar, diretamente, seria uma decisão mais sábia, milorde.
— Apenas seu se desejasse matá-lo, jovem Skywalker — o Alto-Sacerdote contrapôs. — Eu, meramente, desejo sujeitá-lo à minha vontade.
Lorde Nazler ergueu a sua mão, projetando um lampejo de luz vermelho-escura para cima, este, ao alcançar uma determinada altura, dividiu-se em sete filetes que caíram sobre os acólitos, distorcendo a realidade ao redor deles e, assim, metamorfoseando as suas aparências.
Sete cópias do infame Darth Vader brandiam os seus sabres-de-luz.
— Eu tenho um mau pressentimento sobre isso.
AVISO! Contém spoilers da saga literária mais atual de Star Wars, Fate of the Jedi, e da HQ Darth Vader and the Lost Command.
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