
Você se lembra do seu último dia de escola? Eu me lembro, impecavelmente, do meu: dia 30 de novembro de 2007, uma sexta-feira se você quer saber, fiquei acordado pela madrugada inteira, tomei um banho gelado para evitar desmaiar de sono, peguei uma carona de carro com o papai e cheguei bem cedo na escola, fui um dos primeiros a estar ali, inclusive, troquei um cumprimento de bom dia com o porteiro, o velho e não tão simpático Zé Maria, e subi para a minha sala, a de número 414, na qual vivenciei os meus dias de convênio, os meus últimos dias de adolescente irresponsável.
As luzes estavam desligadas e o ar-condicionado também, isto se devia ao fato de a sala não estar sendo usada durante aquela época de revisão para o Vestibular seriado da UFPa, o finado PSS, mas a porta estava destrancada, aproveitei-me disso e entrei no recinto que cheirava, fortemente, a papel, a caneta e a lembranças, muitas lembranças agridoces. Eu nem conseguia acreditar, inteiramente, que aquele seria o meu último dia como um estudante do Ensino Médio, senti uma intensa onda de ansiedade crescendo no meu peito e, por um brevíssimo momento, tive dificuldade de respirar, contei de um até dez e me acalmei, “Isso não é o fim do mundo”.
“Tampouco é o episódio final de uma série de televisão”, eu pensei, “Ninguém apagará, dramaticamente, as luzes enquanto uma música conveniente toca no fundo. Não, não é assim na vida”.
Finais nunca são fáceis, eu sempre os idealizo tanto que é muito difícil para a realidade corresponder às minhas expectativas e, assim, eu me vejo desapontado com o que a vida traz para mim. Eu liguei as luzes da sala, desliguei-as e, então, me retirei do lugar, ao pisar no corredor, algo de muito estranho aconteceu comigo: eu comecei a lembrar de vários episódios vivenciados desde o meu primeiríssimo ano no CESEP em 1996, eu me lembrei da minha família, dos meus amigos, dos meus colegas e, ao dobrar no corredor, todas aquelas pessoas importantes ao seu próprio modo surgiram na minha mente como uma calorosa onda de experiências. E eu me senti seguro, eu entendi naquele momento que, absolutamente, tudo tem o seu fim, nunca é bom viver no passado por muito tempo e, bem, quanto ao futuro... Graças a uma conversa com o meu grande irmão esbranquiçado, o futuro já não parecia mais ser tão assustador: o futuro poderia ser como eu quisesse.
Quem poderia dizer que isso não acontecerá? Quem poderia dizer que as minhas fantasias não se tornariam realidade? Apenas daquela vez... E, sibilando I’m no Superman do Lazlo Bane, eu segui para a sala de revisão preparado para enfrentar o que quer que a vida reservasse para mim.
Teve um resultado positivo na prova? Fiquei curiosa pra saber...
ResponderExcluirachei o seu link entre os blogs que O Hodierno segue. Gostei do layout e dos textos pessoais. Seguindo aqui ^^
Não naquele ano, mas foi melhor assim. :)
ResponderExcluirObrigado por estar seguindo! \o