
O corpo da aristocrata romena — uma baronesa — foi encaminhado a uma clínica médica privada para que fosse submetido à autopsia. O médico executor do procedimento atendia pelo nome de Johann E. Wilson e era um velho conhecido tanto do Inspetor Especial G. Levellier como do seu oficial superior, o Superintendente Oscar Karakolvas, desse modo, caracterizando-se como uma pessoa confiança dotada das habilidades essenciais para a análise da fisiologia particular daquele cadáver.
— Não é preciso ter uma graduação em Medicina para apontar a causa mortis — disse Wilson, o qual também fora retirado, inconvenientemente, do conforto do seu lar, para Levellier.
— A estaca penetrou no músculo cardíaco e a prata desencadeou um choque anafilático.
— Correto — o médico concordou. — Agora, veja isso — ele indicou os olhos da baronesa.
— Estão vermelhos — Levellier disse. — Como se... — um pensamento estalou em sua mente. O alho! — O assassino baforou uma nuvem de alho no rosto dela para atordoá-la e, então, aproveitou a oportunidade para cravar a estaca.
— Eu apostaria o meu dinheiro nesse cenário — declarou Wilson. — Fique à vontade para estudar a estaca — apontou para um saco plástico em cima de uma mesinha metálica. — Permite-me verbalizar uma ideia, meu amigo?
— Seja o meu convidado, Wilson.
— Tudo o que você encontrará na estaca é um beco sem-saída — ele proclamou. — O assassino é, claramente, um profissional, duvido muito que fosse cometer um erro grosseiro como deixar evidências na arma do crime e...
—... Mesmo se houvesse qualquer evidência na estaca, seria uma de falsa veracidade, um artifício empregado pelo assassino para nos induzir a procurar na direção errada — o inspetor especial completou. — Sim, a ideia me passou pela cabeça, o que nos deixa...
—... Somente uma única alternativa: os símbolos de magia — assim falou o médico. — Pelo que você me disse; os circuitos mágicos instituídos ali eram da mais altíssima qualidade, duvido muito que você possa selecionar uma pessoa aleatória na multidão com capacidade de rompê-los sem ativar as medidas de defesa.
— Eu posso perguntar por aí — disse Levellier, coçando o queixo, um gesto característico de quando ele estava preocupado. — Há muitos ouvidos e olhos nas ruas.
— Eu temo que a inteligência adquirida por mendigos seja insuficiente dessa vez, meu amigo.
— Se assim for, o que o bom doutor me sugeriria?
Wilson acomodou-se em um banquinho alto de madeira, sua perna infartada estava doendo, havia se esquecido do analgésico em cima do criado-mudo na pressa de comparecer à clínica e a última coisa que queria naquele momento era reiniciar uma discussão antiquíssima com o seu melhor amigo, entretanto uma moça — a qual, ironicamente, deveria ser séculos de idade — perdera a sua vida e o seu pedigree nobre trazia à tona a possibilidade de aquilo se transformar em um incidente internacional, algo que seria bastante desagradável. Com isso em mente, o bom médico exalou um suspiro: o último momento de calmaria antes da violenta tempestade.
— Ele.
E o doutor sentiu como se houvesse desatado as correntes que mantinham presos os portões do inferno.
Segunda parte do conto-seriado encomendado pela heartsister, Bianca Q.
Nenhum comentário:
Postar um comentário