
De acordo com a última pesquisa efetuada pela Gazeta Metropolitana, o pico do tráfego humano na região central da metrópole ocorre entre o meio-dia e às duas horas da tarde. Nesse interim, as calçadas das suas ruas e avenidas se metamorfoseiam em autênticos formigueiros de pessoas, assim sendo, alguém pode se perder com grande facilidade durante esse empurra-empurra — crianças e idosos, por exemplo, desaparecem quase diariamente e o principal responsável por isso é a distração: você deixa com que a sua concentração se dissipe por um mínimo instante e, pronto!, vê-se cercado por estranhos. É um pensamento assustador.
Eu estou ciente disso e, no entanto, me permito, constantemente, ficar distraído, ando pela cidade com os pensamentos vagando a esmo por aí — algo que, inclusive, eu me encontro fazendo agora mesmo —, sinto os paralelepípedos da calçada sob os meus pés, guio-me, puramente, por instinto e, em um momento que poderia ter durado um milionésimo de segundo, o meu cérebro registra a figura de uma mulher e ela é linda: os seus cabelos são vermelho-flamejantes, adoráveis sardas enfeitam o seu rosto, o mundo é visto por ela através de belíssimos olhos azul-escuros e o seu andar elegante, balançando aquele seu vestido amarelo, é algo, simplesmente, deslumbrante.
Eu, então, olho para trás e, infelizmente, ela já não está ali. De fato, alguém pode desaparecer com muita facilidade nesse horário.
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