
Eu acredito que hoje em dia, um pouco mais de um ano depois da estreia de A Rede Social nos cinemas, todo mundo, ou 99,9% das pessoas do mundo, possuía uma conta no Facebook e, portanto, esteja ciente da ferramenta “curtir” (ou “like”, no original) que é fundamental para o experimento dessa rede social tida como, absurdamente, complicada por alguns. Eu tenho um Facebook, logo, faço uso constante desse instrumento: eu curto páginas, links e publicações que me agradem, um direito inerente a toda e qualquer singela pessoa desse planetazinho azul de nome enganoso.
Todavia, é impossível, para mim, deixar de pensar em como esse recurso tem sido usado de modo errôneo e, francamente, amoral nesses últimos tempos: vejo pessoas curtindo catástrofes, tragédias, mortes, tudo aquilo que — eu acredito — deveria trazer deleite (porque “deleite” é o significado de “curtir” nessa conotação) para pessoas dotadas de um problema psicológico e não daquelas com suas faculdades mentais intactas. Em nome das entradas de calvície do meu primo Yanzinho, teve gente curtindo a morte do Steve Jobs não muito depois de a notícia ter sido divulgada! Onde está à decência nisso? O que leva alguém a se deleitar na morte de alguém? Isso é errado, muito errado.
Eu sou um grande defensor dos direitos pessoais, de fato, eu, dificilmente, me incomodo com as atitudes das pessoas, qualquer um que tenha tido o mínimo contato comigo já deve ter me escutado dizer a seguinte frase pelo menos uma vez na vida, “Se funciona para ele(a), quem sou eu para reclamar?”, mas, em nome da Origem das Espécies de Charles Darwin, está na hora de pisar no freio e refletir um pouco antes de clicar em “curtir” mesmo se for, na sua concepção, somente uma brincadeira inofensiva: nós vivemos em uma sociedade e, vamos encarar, temos de pensar naquilo que os outros pensarão.
-Outro texto feito a pedido do meu irmão gêmeo de outra mãe.
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