
Em uma hora dar-se-ia início a um novo dia para a Humanidade, aquele no qual nós, finalmente, superaríamos as fronteiras do nosso Sistema Solar e começaríamos a nossa aventura pela imensidão sublime da Via Láctea. Eu mal conseguia manter a minha ansiedade sob controle: apertava os dentes, segurava os braços da cadeira com força e, de cinco em cinco minutos, lançava um olhar para o céu estrelado além do vidro da minha cabine. Era a décima primeira hora da noite e a minha última hora antes de abandonar a gênese da minha espécie para sempre — a hora do Fim da Infância da Humanidade.
E, então, tudo mudou: as luzes cintilantes desapareceram no céu dando lugar a uma única e estável luz que veio a aumentar de tamanho de segundo em segundo enquanto aproximava-se da esfera terrestre, ao entrar em nossa atmosfera, revelou-se um disco mecânico de mais ou menos sete quilômetros de diâmetro, uma magna opus tecnológica para nós, entretanto uma peça comum para eles, ou melhor, Eles. Daquele dia em diante, Eles se tornaram os nossos deuses, abençoaram-nos com os seus milagres e nós negaram outra vez a ambição de estender a nossa ambição para além do nosso berço. Pão e circo.
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