domingo, 23 de outubro de 2011

Star Wars: Herança VII


Ben Skywalker estava absorto em um sono profundo, ao seu lado, jazia Vestara Khai, sentava-se com as pernas cruzadas, fitava, atentamente, o companheiro, resignando-se a desviar o seu olhar e dedicando sua concentração e força de vontade para manter a sua mente em plena sincronia com a do homônimo de Ben Kenobi.

O sonho do único filho da finada Mara Jade Skywalker com a figura corrompida do seu ancestral ainda estava para começar. Por enquanto, tudo o que havia no oceano de pensamentos do rapaz era um emaranhado caótico de lembranças, algumas muito antigas, remetendo-se à sua infância incomum na época da pan-galáctica Guerra de Yuuzhan Vong, outras um tanto mais atuais nas quais a figura de Jacen Solo, antes da sua metamorfose em Darth Caedus, aparecia constantemente e, por fim, memórias das aventuras vividas por Skywalker e o seu pai durante o temporário exílio desde último há cinco anos, Vestara estava inclusa nestas reminiscências, ainda uma Sith dotada de crenças, inteiramente, distintas das que trazia consigo hoje em dia. É inacreditável como uma pessoa pode mudar tanto em um intervalo de tempo tão curto!

Repentinamente, então, a imagem parte e asseguradora de Luke Skywalker, onipotente, com o seu sabre-de-luz verde em mão desapareceu, dando lugar a figura sombria da entidade organomecânica que aterrorizou a galáxia por longos vinte e quatro anos: Darth Vader jazia diante de Ben e, embora fosse apenas uma manifestação onírica do Lorde Sith, a própria Vestara, segura no mundo real, podia sentir a flor da pele a ameaçadora aura do Lado Sombrio da Força que era exalada por ele.

E pela presença responsável pelas suas aparições nos sonhos de Ben. Sim, Vestara conseguia senti-la agora, era uma fagulha distante, porém detectável, tudo o que teria de fazer para encontrá-la seria manter a sua ligação com o mundo onírico do companheiro e, ao mesmo tempo, movimentar-se pela realidade, perseguindo o ponto de origem daquilo que, e disso ela não tinha qualquer dúvida, estava, claramente, conectado ao Lado Sombrio da Força. Seria um Sith? Um Jedi Sombrio? Não havia como saber ao certo daquela distância.

Vestara, que tinha a concentração seccionada, quase desabou ao chão quando ficou em pé, ainda não havia se acostumado com aquele estado, mas tudo bem, teria o dominado antes de alcançar o nexo do Lado Sombrio, ou então... Ela saiu do quarto, tomando cuidado para não atrair a curiosidade dos guardas cujo trajeto das rondas envolvia aquela ala do Palácio, moveu-se pela penumbra, indo mais e mais na direção dos níveis inferiores do edifício governamental, eventualmente, chegando ao térreo onde, por um instante, acreditou ter perdido a sua trilha, somente voltar a sentir a presença, agora mais intensa, quando se viu parada próxima a uma parede lisa — ela olhou para um lado, olhou para o outro e, uma vez confirmada sua solidão ali, usou a Força para descolar a parede falsa, revelando, assim, uma longa escadaria que seguia para o subsolo. Vestara respirou fundo e iniciou sua descida.

Lentamente, a Jedi passou a detectar outras presenças ao redor daquela que assombrava os sonhos de Ben, estas, no entanto, possuíam um teor neutro similar aos dos assassinos de outrora, desse modo, salientado uma ligação entre aquele acontecimento e o projetor do Darth Vader onírico.

Além do último degrau da escada, um ambiente extenso dotado de uma aparência, ligeiramente, parecida com uma cripta podia ser observado, ali se reuniam pelo menos sete pessoas, seis trajando vestes brancas-peroladas como as dos clérigos da comissão de recepção ao passo que a sétima pessoa (o líder, obviamente) jazia envolvido por um manto negro ornamentado por alguns símbolos vermelhos cujos significados eram, inteiramente, desconhecidos por Vestara. Isso, entretanto, não era importante, não se comparado à descoberta realizada pela Jedi: a presença maligna convergia-se no líder do culto, o qual, pelo visto, exercia pleno e absoluto controle sobre as mentes dos seus seguidores, solucionando, portanto, o mistério da neutralidade dos assassinos na Força — eles não passavam de marionetes.

Marionetes que saltaram para cima de Vestara tão logo notaram a sua presença, demonstrando grande domínio da Força, confrontaram com suas alabardas e uma competência de combate bastante superior a dos seus antecessores, desarmaram a vibrocimitarra com velocidade, efetivamente, obrigando a Jedi a abandonar o estilo Ataru e adotar uma abordagem intermediária entre Soresu e o estilo Djem So, a Forma da Perseverança, para aumentar, drasticamente, a sua capacidade defensiva e o seu número de golpes infligidos. Foi uma mudança sábia, a qual causou a queda de dois clérigos e o desmembramento de outro, entretanto falhou em conceder a vitória a Vestara.

Os clérigos remanescentes, após terem a subjugado, forçaram-na a se ajoelhar perante o seu mestre sombrio que, até então, estava sentado em um trono metálico e escondia a sua identidade com uma máscara dotada de um único símbolo vermelho, claramente, pertencente à mesma vertente dos do seu manto.

O mestre, dramaticamente, retirou a sua máscara, um sorriso sardônico estava estampado no seu rosto e uma névoa de malignidade e perversão jazia nos seus olhos agora, intensamente, amarelo-aquosos. Não havia qualquer modo de evitar uma associação entre aquele olhar e o do finado Alto-Lorde Sarasu Taalon, outra vítima de Vestara em sua campanha contra Abeloth.

— Olá, Jedi Khai.

Vestara forçou um sorriso insolente.

— Olá, Lorde Nazler.



AVISO! Contém spoilers da mais recente saga literária de Star Wars, Fate of the Jedi, e da HQ Darth Vader and the Lost Command.

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