domingo, 9 de outubro de 2011

Star Wars: Herança V



Nem um nem outro disse uma palavra sequer, pois isto seria um ato desnecessário, afinal, o elo compartilhado por Ben e Vestara esclarecia um mesmo pensamento: poupar a vida de um dos atacantes para depois interrogá-lo. O primeiro ruído de snap-hiss foi seguido por um meneio veloz de uma luminosa lâmina dourada acompanhada por uma vibrocimitarra, cada uma destas colidiu com o material resistente de uma alabarda, a qual conseguiu resistir até mesmo à temperatura escaldante gerada pelo sabre-de-luz de Vestara.

Ben gerou sua lâmina azul durante um salto, aterrissou atrás de um dos seus adversários e, sem hesitar, desferiu um golpe fatal que seccionou, diagonalmente, o torso deste. No instante posterior, outro assassino brandiu sua alabarda contra o Cavaleiro Jedi, este último agachou-se para desviar da ofensiva, então içou o seu sabre-de-luz a fim de rasgar um dos braços do atacante, o qual reagiu, suficientemente, rápido para bloquear o ataque com a sua própria arma.

Há menos de sete passos dali, a última da Dinastia Khai via-se confrontando, simultaneamente, dois assassinos que, muito sagazes, tinham adotado uma estratégia de distrair-atacar-e-correr, isto é, um deles incumbia-se de capturar a atenção de Vestara enquanto o outro se esgueirava pelas costas dela na intenção de surpreendê-la, tal estratagema poderia ter funcionado, impecavelmente, caso ela não fosse uma Jedi e, portanto, não tivesse acesso à Força, aí a necessidade do último passo: o assassino teria de correr para evitar ser retalhado pela companheira de Skywalker no momento posterior ao da falha do seu ataque sorrateiro.

O segundo agressor a tombar foi aquele que, na hora, enfrentava Vestara de frente-a-frente, ela empregou a Força para manifestar um empurrão invisível direcionado ao atacante sorrateiro, afastando-o, em seguida, conteve a alabarda com a sua lâmina dourada e agitou a vibrocimitarra contra o pescoço do agressor frontal, separando, então, a cabeça dele do seu corpo e, consequentemente, projetando um jorro de sangue que a tingiu de vermelho-escuro. E daí ela gargalhou.

Sua risada, entretanto, não era algo que podia ser associado a um gosto pelo derramamento de sangue, mas um artifício psicológico destinado a inspirar medo e, em decorrência disso, um rompimento da concentração dos seus adversários, o que funcionou com perfeição incontestável.

Um dos três assassinos que se encontrava confrontando Ben teve a sua prudência desgarrada pelo ato de Vestara, desse modo, dando a oportunidade ideal para o Jedi desmembrar suas pernas e daí arremessá-lo, fortemente, para cima de outro atacante, desestabilizando-os e, assim, possibilitando que Ben não somente se esquivasse da alabarda projetada em sua direção como também contra-atacasse, dilacerando a mão esquerda e o braço direito até o cotovelo do terceiro agressor, o qual teve a sua vida ceifada por Vestara quando ela usou a Força para quebrar o pescoço dele alguns segundos depois de ter transpassado o torso do seu último adversário com a ponta do sabre-de-luz.

E, assim, somente um atacante permaneceu vivo, todavia não por muito tempo: ao ser erguido pelo jovem Skywalker para ser apreendido e, então, interrogado, o corpo do homem trajado de preto-e-cinza passou por uma intensa convulsão, a qual, eventualmente, resultou na sua morte, nulificando toda e qualquer chance dos Jedi conseguirem algumas respostas da sua parte.

— Pílula de irksh — diagnosticou Vestara ao retirar a máscara do assassino e notar a existência de um aglomerado de espuma prateada ao redor da sua boca. — Que extremo! — ela comentou.

Irksh não é um veneno que pode ser encontrado com facilidade hoje em dia — disse Ben. — Esses não eram assassinos comuns — apanhou uma alabarda para analisá-la. — E tampouco isso é um metal comum.

Beskar, talvez? — a última Khai sugeriu.

— Não... Nós estamos longe de mais da zona de influência dos mandalorianos, isso aqui é outra coisa — o outro disse. — Pode ser um minério exclusivo de Atoa, quer dizer, não seria nenhuma surpresa se um planeta tão escondido do centro da galáxia como esse possuísse algum tipo exótico de matéria-prima.

— Seria, no mínimo, irônico — Vestara comentou. — É melhor nós coletarmos uma amostra.

— Como? — indagou Skywalker. — Nem um sabre-de-luz conseguiu cortá-lo.

— Felizmente, nós temos dois sabres-de-luz — ela içou a alabarda, mantendo-a flutuando no ponto médio entre si e o companheiro. — No três... Um, dois, três!

O calor, inicialmente, gerado pelas lâminas mostrou-se insuficiente para seccionar o objeto, de modo que este somente teve uma parte sua destacada depois dos Jedi terem desferido vários golpes.

— Viu? Eu disse que funcionaria — Vestara, sorridente, disse a Skywalker.

— É por isso que eu nunca duvido de você, Ves — ele guardou o fragmento metálico dentro da sua vestimenta preta, a qual, obviamente, havia sido inspirada pelas vestes usadas pelo Grande Mestre.

— O que nós faremos agora? — a Jedi quis saber.

— Antes de tudo, nós contataremos as autoridades do CCA para lidarem com esses corpos, depois relataremos os acontecimentos e, por último, mas não menos importante, nós voltaremos para o nosso quarto, afinal, merecemos umas horas de descanso — um sorriso cansado apareceu no seu rosto. — Daí quando nós estivermos com as energias restauradas, iniciaremos a nossa investigação. Há algo de muito errado e estranho aqui em Atoa e eu não arrastarei o meu pé desse planeta até descobrir o que é.

— Mas nós não estávamos aqui, puramente, como embaixadores da Aliança Galáctica? — questionou Vestara com o rosto tracejado de seriedade, mas a voz munida de escárnio.

— O que posso dizer? — Ben, suspirando, falou a ela. — Eu, simplesmente, não consigo fechar os olhos e virar a cabeça para o outro lado quando alguém tenta me matar — o seu sorriso adquiriu uma pontada de ânimo. — Não é o jeito Skywalker.



AVISO! Contém spoilers da mais atual saga literária de Star Wars, Fate of the Jedi, e da HQ Darth Vader and the Lost Command.

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