
Ela acordou muito cedo, na quarta hora daquela terça-feira, tomou um banho rápido e gelado para pôr um fim à sonolência, colocou uma roupa, pegou sua bolsa e, antes de sair, dedicou alguns segundos do seu dia corrido para admirar a sua pequena criança que jazia embalada em um sono tranquilo e profundo.
Quase perdeu o ônibus das 5 horas, andou 4 quarteirões em passos velozes e espaçosos para alcançar o metrô, subiu no Trem E, levando 3 horas para, então, descer do outro lado da cidade, entrou em um edifício luxuoso de 2 apartamentos por andar, passou pela entrada de serviço, trocou aquela roupa casual pelo seu uniforme e seguiu para o quarto do 1º patamar no qual a pequena criança dos seus patrões jazia embalada em um sono tranquilo e profundo.
Ela se agachou ao lado do berço, fechou os seus olhos e sussurrou, ternamente, uma cantiga de ninar para aquela criança privilegiada enquanto, desejando com toda a intensidade do seu íntimo que a sonoridade da sua voz atravessasse o concreto da cidade e tocasse os ouvidos da sua filha.
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