
Ela acordou ao ter o seu rosto tocado, delicadamente, pelos raios-de-sol que em seu quarto adentravam ao passarem pelo vidro da janela, esquentando, ligeiramente, sua pele branca como a neve e dando, suavemente, brilho aos cachinhos dourados dos seus cabelos. Em seu rosto, um sorriso jazia — era o dia do seu décimo primeiro aniversário e ela não poderia, possivelmente, estar mais feliz.
Ela desceu para a cozinha no primeiro andar da residência dando passinhos de balé, então sendo recebida por sua mãe com um abraço apertado, um beijinho carinhoso, um “Feliz aniversário” e um prato com panquecas de queijo e presunto em formato de borboleta que, como evidenciado, claramente, pelo pijama usado pela menina, era o seu bichinho preferido.
— Está gostoso, queridinha?
— Sim, mamãe, está MUITO gostoso!
— Que bom, queridinha, que bom.
O pai não demorou muito a se juntar às mulheres da sua vida; surgiu no aposento com um jornal embaixo do braço e um boníssimo comunicado: “Mais tarde nós faremos um piquenique para comemorar o seu aniversário, queridinha”.
Ela soltou uma exclamação de felicidade, encheu o pai de beijos, terminou o seu desjejum e apressou-se em ir se arrumar, tomando um banho de banheira com água quente, escolhendo o seu vestido preferido de borboletas e, aos saltinhos, retornando a companhia dos pais, os quais a esperavam na sala de estar com tudo preparado para irem ao piquenique.
— Esse será o melhor aniversário de todos os tempos!
Então a família feliz rumou para o bosque em que se daria o piquenique, uma vez lá, se encontrarem com os avôs, as avós, os tios, as tias, os primos, as primas, os amigos e as amigas da aniversariante, ela ganhou um sem-número de presentes e de sorrisos calorosos, brincou e brincou e brincou sem parar; assoprou as onze velinhas do seu bolo de chocolate-marrom, fez um pedido como de acordo com a tradição, caçou borboletas, capturou algumas, e, ao final do dia, adormeceu com o coração munido de alegria — oh, mas como é bom amar e de volta ser amada!
Ela, agarrada à sua adorada borboleta de pelúcia, dormia em um sono profundo, tão profundo que nem se sequer se incomodou com a picada da injeção utilizada pela médica para administrar o remédio. A médica, depois de injetar a substância, fez um cafuné na cabeça da menina e a beijou na testa, sussurrando “Feliz aniversário, minha queridinha”, então recolheu a injeção para dentro do seu bolso, retirou-se do quarto de paredes cinzentas adornadas com adesivos e pinturas de borboletas e então lembrou ao enfermeiro de trancar a porta na qual havia PERIGO escrito em letras garrafais.
VOCÊ ESTÁ VIVENDO NO
MUNDO REAL?
eu já havia lido esta postagem... Muito boa.
ResponderExcluirtbm já li... no crônicas acho.
ResponderExcluirMuito boa :)