segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Derrota



Há alguns anos, eu fui convidado por uma namorada (agora ex-namorada) a participar de um jantar na casa dela e o prato principal da ocasião correspondia a uma abominação da culinária: lasanha vegetariana. Espinafre, eu creio, era o seu ingrediente fundamental. Lembro-me que, na hora, eu estampei um dos sorrisos mais falsos do mundo no rosto, engoli aquela aberração gastronômica como se fosse o próprio Néctar dos Deuses e, bem, o gosto era horrível.

O meu cérebro, então, registrou aquele gosto nos seus arquivos na intenção de acessá-lo nos meus não tão abundantes momentos de derrota — sim, para mim a derrota tem o mesmo gosto de uma lasanha vegetariana e é um gosto que, simplesmente, não quer sair das minhas papilas gustativas agora.

Hoje eu tive a minha primeira grande derrota na universidade, derrota que, veja bem, não teve irresponsabilidade, ou negligência, como as suas causas, pelo contrário, eu dei o melhor de mim e isso apenas não foi o suficiente, o que torna tudo muito, muito pior. E os meus amigos viram-se tragados pelo vórtice da minha falha. Assim, eu não estou tendo um bom dia... Na realidade, eu acho que ninguém está (exceto ela, eu torço para que ela esteja tendo um dos melhores dias da sua vida).

E, agora, cá eu estou: derrotado, frustrado, com o gosto de lasanha vegetariana incrustado na minha boca. Tudo bem. Outros dias virão, outros desafios também e eu sei que, no último instante antes de esse ano acadêmico acabar, na nossa batalha final, tudo dará certo — não há outra opção. Tudo dará certo.

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