sexta-feira, 9 de setembro de 2011

20 e poucos anos



O trem que me levaria para longe de Praga estava parado diante de mim, eu somente tinha de subir no mesmo, encontrar o meu assento e observar, silenciosamente, enquanto àquela cidade gelada dotada de um quê de cemitério e toda uma vida, a minha vida, iam ficando para trás. Era agora, ou nunca.

Eu apertei os dentes, soltei um suspiro, olhei para a saída da estação, para todas as memórias de Praga e, então, dei um passo em direção ao trem, o primeiro rumo à minha nova vida... Um grito capturou a minha atenção: era o meu nome sendo pronunciado por uma mulher, sua voz tinha uma entonação alta e desesperada. Voltei-me para olhar na direção do grito e descobri Yvonne, aquela para quem eu entreguei o meu coração há muitos anos, ela segurou as minhas mãos e pediu... Não, ela implorou, encarecidamente, para que permanecesse ali em Praga — com ela.

O trem partiu de Praga e eu jazia no meu assento, o rosto voltado para a janela e para a mulher lamuriosa trajada, inteiramente, de preto. Você já sabia disso, Yvonne, afinal, me conhece muito bem, eu sou capaz de ir e quero ir muito mais além do que você imagina, eu não desisto assim tão fácil, meu amor, das coisas que quero fazer e ainda não fiz, na vida tudo tem seu preço e o seu valor e eu só quero dessa vida é ser feliz... Eu não abro mão disso. Nem por você, nem por ninguém eu me desfaço dos meus planos, quero saber bem mais dos meus vinte e poucos anos.


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