domingo, 11 de setembro de 2011

Star Wars: Herança I



O iate estelar, Jade Shadow, aterrissou no topo de uma colina, a qual, assim como o restante do planeta, via-se coberta por uma densa camada de gelo. Naquele instante, uma forte tempestade de neve afligia a região, efetivamente, impossibilitando o desembarque da tripulação do veículo que, por sua vez, era integrada por quatro seres, dois orgânicos e dois mecânicos, um destes possuía o célebre sobrenome Skywalker e, dia após dia, sentia o peso da sua herança familiar sobre as suas costas.

Ben Skywalker era um Cavaleiro Jedi, isto é, um humilde servo da Força dedicado à manutenção da ordem, da paz e da justiça dentro da Federação Galáctica das Alianças Livres, o governo sucessor da finada Nova República, a qual colapsou com a queda de Coruscant durante Guerra de Yuuzhan Vong há, exatamente, vinte anos. Em decorrência do seu juramento à Ordem Jedi, o jovem Skywalker encontrava-se, constantemente, viajando por toda a imensidão da galáxia a fim de cumprir as missões designadas pelo Grande Mestre, Luke Skywalker, um dos maiores heróis da antiga Aliança Rebelde.

Algumas destas missões detinham de um caráter, essencialmente, diplomático, ou seja, serviam apenas para propagar a ideia de que a Aliança Galáctica atribuía grande importância a todos os seus membros constituintes, inclusive aqueles situados em localidades distantes como, por exemplo, o frígido e, largamente, desconhecido planeta Atoa disposto em uma zona próxima à Nébula Fantasma.

O jovem Skywalker estava, por sinal, incumbido de tal missão no presente momento: deveria se reunir com o Alto Sacerdote de Atoa, Lorde Colric Nazler, para assegurar que a Aliança Galáctica não demoraria mais muito tempo em enviar os recursos solicitados pelo governo atoano e, por fim, entregar um holograma gravado pelo próprio Imperador Jagged Fel, o Chefe de Estado do, relativamente, recém-formulado Império Fel. Era, ao todo, uma missão bastante simplória... Exceto por um “pequeno” detalhe: os atoanos recusavam, terminantemente, a comunicar-se pelo idioma Galáctico Básico Padrão, limitando-se, ao invés disso, a tratar no seu idioma-materno, o qual era tão desconhecido quanto o Sistema Atoano, ou talvez até mais.

Desse modo, Ben não teve outra escolha senão recorrer ao único dróide protocolar disponível que tivesse fluência em mais de seis milhões de formas de comunicação, a ama-seca da pequena Allana Solo, C-3PO. O Cavaleiro Jedi, dados os seus anos de convivência com o dróide dourado, estava mais bastante acostumado com a sua personalidade peculiar, mantendo-se calmo e até mesmo divertindo-se com algumas das particularidades do ser mecânico que muitos, normalmente, considerariam como sendo um tanto irritantes — Vestara Khai, uma Cavaleira Jedi e a acompanhante do jovem Skywalker, incluía-se nesse grupo, de fato, ela já teria desmembrado o dróide protocolar há tempos se não tivesse abandonado os ensinamentos do Lado Sombrio da Força.

— A tempestade está se dissipando — anunciou Vestara, a qual estava sentada diante do painel de controle da Jade Shadow, ela quem havia guiado o iate estelar desde a saída deste do hiperespaço há duas horas. — Onde está o R2? — perguntou a Ben. — Talvez já seja possível estabelecer contato com a capital.

— Ele está no hangar verificando a StealthX — Skywalker, de testa franzida e um tanto distraído, respondeu. — Você está sentindo isso? — indagou, fitando o olhar castanho-escuro da companheira.

— O quê? — Vestara, intrigada, levantou uma sobrancelha. Ela estendeu a sua percepção da Força na intenção de encontrar aquilo sentido por Skywalker. — Não sinto nada de atípico.

— Deve ser apenas o cansaço — disse Ben, esfregando as mãos no rosto. — Já faz um tempo desde a última vez em que eu dormir direito.

— Ossos do ofício — a companheira, com um sorriso sucinto no rosto, comentou. — Ninguém mandou nascer filho do Grande Mestre.

— É verdade — ele concordou. — Chamarei o R2 — ergueu-se do assento do copiloto. — Se eu não voltar em cinco minutos, então eu devo ter caído de sono no meio do corredor.

— Eu prometo acordá-lo da maneira menos delicada possível — disse Vestara com um tom de falsa seriedade na sua voz.

— Eu conto com você para isso.

Ben retirou-se da cabine, seguiu pelo corredor, parando na metade do trajeto para o hangar, apoiou um ombro na parede metálica, fechou os olhos e massageou uma têmpora. Sim, ele estava muito fatigado e a cicatriz do ferimento obtido Klatooine ainda doía um pouco, entretanto sabia, absolutamente, que aquela estranha sensação não tinha a menor relação com isso. Não, não. Era algo oriundo de Atoa, uma vaga impressão deixada na Força, algo como uma lembrança... Uma lembrança abarrotada de fúria, medo e ressentimento. Sim, aquela não seria uma missão tranquila.




AVISO! Contém spoilers da mais recente saga literária de Star Wars, Fate of the Jedi, e da HQ Darth Vader and the Lost Command.

Nenhum comentário:

Postar um comentário