Era uma vez um Felipe-de-17-anos que, em um dia qualquer do ano de 2007, encontrava-se conversando com um Teófilo-de-17-anos embaixo da árvore atrás do ginásio durante o intervalo. Naquele dia em particular, o tópico discutido correspondia a duas palavrinhas que têm amaldiçoado a humanidade desde... Bem, sempre — “E se...?”.
(a) E se aquele Felipe-de-17-anos tivesse acordado mais tarde naquele dia?
(b) E se aquele Felipe-de-17-anos tivesse escolhido cabular a próxima aula?
(c) E se aquele Felipe-de-17-anos tivesse errado aquela questão de Matemática?
(d) E se aquele Felipe-de-17-anos tivesse, mais tarde, tido a coragem para
convidar aquela garota, Mariana, para sair com ele?
E se aquele Felipe-de-17-anos realizou uma dessas quatro ações? Teria, então, ele se tornado um Felipe-de-20-quase-21-anos diferente de mim? Ou não haveria nenhuma mudança? E se aquele Felipe-de-17-anos que teve coragem de convidar aquela Mariana-de-18-anos for o Felipe verdadeiro e eu, assim como o mundo ao meu redor, não passasse de um mero fragmento de imaginação, uma possibilidade na qual ele está pensando nesse exato momento? E se eu, um Felipe-20-quase-21-anos solteiro e calouro de Direito, for tão real quanto ele, um Felipe-20-quase-21-anos que está namorando uma Mariana-de-21-quase-22-anos e daqui pouco se formará em Medicina pela UEPa?
Isso acima, caro leitor, é um pensamento derivado da interpretação de muitos mundos, ou IMM, que é uma interpretação da mecânica quântica, a qual propõe a existência de múltiplos universos paralelos igualmente válidos e é amplamente explorada durante as duas horas e nove minutos que constituem o filme Mr. Nobody escrito e dirigido pelo belga Jaco Von Dormael e estrelado principalmente por Jared Leto e Diane Kruger.
(a) E se aquele Felipe-de-17-anos tivesse acordado mais tarde naquele dia?
(b) E se aquele Felipe-de-17-anos tivesse escolhido cabular a próxima aula?
(c) E se aquele Felipe-de-17-anos tivesse errado aquela questão de Matemática?
(d) E se aquele Felipe-de-17-anos tivesse, mais tarde, tido a coragem para
convidar aquela garota, Mariana, para sair com ele?
E se aquele Felipe-de-17-anos realizou uma dessas quatro ações? Teria, então, ele se tornado um Felipe-de-20-quase-21-anos diferente de mim? Ou não haveria nenhuma mudança? E se aquele Felipe-de-17-anos que teve coragem de convidar aquela Mariana-de-18-anos for o Felipe verdadeiro e eu, assim como o mundo ao meu redor, não passasse de um mero fragmento de imaginação, uma possibilidade na qual ele está pensando nesse exato momento? E se eu, um Felipe-20-quase-21-anos solteiro e calouro de Direito, for tão real quanto ele, um Felipe-20-quase-21-anos que está namorando uma Mariana-de-21-quase-22-anos e daqui pouco se formará em Medicina pela UEPa?
Isso acima, caro leitor, é um pensamento derivado da interpretação de muitos mundos, ou IMM, que é uma interpretação da mecânica quântica, a qual propõe a existência de múltiplos universos paralelos igualmente válidos e é amplamente explorada durante as duas horas e nove minutos que constituem o filme Mr. Nobody escrito e dirigido pelo belga Jaco Von Dormael e estrelado principalmente por Jared Leto e Diane Kruger.

O filme é uma narrativa não linear focada nas vidas (sim, vidas, plural) de Nemo Nobody que, aos cento e dezoito anos, é o último homem mortal. Tal mortalidade faz do Sr. Nobody uma celebridade em um mundo em que a humanidade alcançou um estado de quase imortalidade, desse modo, a iminência da sua morte é algo bastante interessante para a sociedade do ano 2092, o que culmina na invasão do quarto do ancião por um jovem repórter cujo objetivo é o de escutar a história da sua vida, mas ele acaba por escutar as histórias muitas vezes contraditórias das suas vidas, em especial aquelas ocorridas aos nove, quinze e trinta e quatro anos do Sr. Nobody.
O espectador desavisado tomaria Mr. Nobody como um filme romântico sobre escolhas e as suas consequências. Ledo engano. O romantismo apresentado no filme não é nada além de um disfarce empregado para esconder o que realmente é: um intrigante e divertido passeio por algumas das mais complexas teorias científicas do mundo contemporâneo, dentre estas, a do Big Bang, a das Supercordas, a, é claro, da IMM e, mais notavelmente, a do Big Crunch, a qual tem uma das suas possíveis consequências transformada em realidade no final do filme — algo belíssimo e, talvez, esperançoso.
O espectador desavisado tomaria Mr. Nobody como um filme romântico sobre escolhas e as suas consequências. Ledo engano. O romantismo apresentado no filme não é nada além de um disfarce empregado para esconder o que realmente é: um intrigante e divertido passeio por algumas das mais complexas teorias científicas do mundo contemporâneo, dentre estas, a do Big Bang, a das Supercordas, a, é claro, da IMM e, mais notavelmente, a do Big Crunch, a qual tem uma das suas possíveis consequências transformada em realidade no final do filme — algo belíssimo e, talvez, esperançoso.

O que direi a seguir para concluir o texto me renderá várias críticas (eu sei que pelo menos ela torcerá o nariz e me xingará), entretanto direi mesmo assim: Mr. Nobody não é um filme para qualquer um, se você não tiver um conhecimento prévio sobre o que é abordado ao longo das duas horas e nove minutos protagonizadas por Jared Leto, ou tem curiosidade sobre esses assuntos, escute o meu conselho e mantenha distância desse longa-metragem, caso contrário, você o odiará e, quando aparecerem os créditos, terá uma puta dor de cabeça para se preocupar.
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