quinta-feira, 17 de março de 2011

A Espada na Pedra


Eu já li muitos livros na minha vida, um total de 164 de acordo com o Skoob, alguns, de tão interessantes, me fizeram devorar vorazmente as suas páginas, outros somente li até o final para fazer jus ao dinheiro gasto e nenhum me interessou tanto quanto o primeiro livro da pentalogia O Único e Eterno Rei de T.H. White.

O livro, intitulado A Espada na Pedra, é ambientado em uma versão da Feliz Inglaterra medieval denominada de Gramarye, a Ilha de Merlin, aborda a infância do mítico Rei Arthur, que é referido como Wart durante a maior parte da narração, conta com a presença de personagens e lugares clássicos da Matéria da Britânia (Merlin, Sir Ector, a Floresta Savage e Londres), inclui alguns personagens inéditos (Arquimedes, Sir Grummore Grummurson e Wat) e ainda acrescenta outros personagens do imaginário britânico como, por exemplo, o fora-da-lei Robin Hood (ou Wood, como é chamado) e a Donzela Marion que detêm de participações brevíssimas e memoráveis, entretanto não tão memoráveis quanto às lições ensinadas a Wart por Merlin.

E são essas lições que constituem a maior e principal parte do livro, iniciando-se quando Wart adentra na Floresta Savage para encontrar o falcão perdido Cully, então se deparando com o mago Merlin, que envelhece ao contrário, algo similar ao Benjamin Button, e toma as rédeas do aprendizado do menino, tendo conhecimento prévio do futuro do menino, da glória a sua tragédia.


Durante a sua tutela, Wart é transformado em animais (um peixe, um esmerilhão, uma formiga, várias espécies de pássaros e, finalmente, em um texugo) para aprender individualmente sobre o funcionamento das suas sociedades que são mostradas por White como sendo análogas as ideologias políticas existentes (por exemplo, formigas são comunistas e pássaros são anarquistas), participa de várias aventuras, notavelmente, o combate com o grifo da Fada Morgana, que é decapitado por Kay, filho legítimo de Sir Ector e irmão adotivo de Wart, a caçada do javali na Floresta Savage para presentear o Rei Uther Pendragon e, não muito depois da morte do rei, a viagem para um torneio de justas em Londres que garante ao vencedor o direito de tentar retirar a Espada na Pedra, aquela que determinará o novo rei da Inglaterra. Wart, um escudeiro, não participa do torneio, mas retira a espada da pedra e, após fazê-lo incontáveis vezes para provar a todos que não está mentindo, é coroado como Rei Arthur.

Todavia, não são os acontecimentos arturianos que encantam o leitor ao longo das 289 páginas da narrativa, pelo contrário, a ausência destes poderia ser facilmente substituída e não alteraria a essência do livro que é passar a seguinte mensagem endereçada por Merlin a Wart e por White a nós, os leitores:

“A melhor coisa a fazer quando se está triste é aprender alguma coisa. Essa é a única coisa que nunca falha. Você pode ficar velho e trêmulo em sua anatomia, pode passar a noite acordado escutando a desordem das suas veias, pode sentir saudades do seu único amor verdadeiro, pode ver o mundo ser devastado por lunáticos malvados ou saber que a sua honra foi pisoteada no esgoto das mentes baixas. Só há uma coisa para isso: aprender. Aprender por que o mundo gira e o que o faz girar. Essa é a única coisa da qual a mente não pode jamais se cansar, nem se alienar, nem se torturar, nem temer, nem descrer, e nunca sonhar em se arrepender. Aprender é o que lhe resta”.

O meu falecido avô leu A Espada na Pedra para mim quando eu tinha sete anos, sua voz transmitiu o pensamento de White para os meus ouvidos e daí rumou para a minha mente, instalando-se para sempre, tal acontecimento mudou a minha vida, fez-me adquirir um gosto pelo conhecimento e a acreditar do fundo do meu coração que o aprendizado deve ser tanto estimulante quanto divertido. Eu acredito nisso.

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