Em uma aula de Química no final do meu 1º Ano do Ensino Médio, eu fui apresentado a uma verdade incontestável estipulada por Antoine-Laurent de Lavoisier: “Na Natureza, nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”. Tal lei veio à minha mente de imediato enquanto eu assistia aos últimos minutos do episódio Out of the Chute da série House, M.D., uma das melhores da atualidade não obstante da sua qualidade oscilante.
Essa cena de quatro minutos e vinte segundos é, para mim, uma das mais fortes, no contexto emocional, da televisão. No seu decorrer, a audiência é bombardeada com uma gama de sentimentos que são intensificados pelo cover da música My Body Is A Cage por parte do Peter Gabriel (ex-Genesis), fazendo com que nos esqueçamos por um momento de que estamos diante de uma série de televisão e não um acontecimento da vida real — algo muito raro de ocorrer, eu devo acrescentar.
Enfim, é hora de desconstruir a cena:
Uma multidão de garrafas de bebida está disposta pelo chão, a dor de cotovelo proporcionada pelo rompimento com a Dra. Lisa Cuddy transforma-se em uma intensa dor física que se manifesta na perna enfartada do médico brilhante, ele toma um comprimido de Vicodin, medicamento ao qual era viciado e ficou sem ingerir durante dois anos, e lança um olhar derrotado, decepcionado, deprimido, solitário e, talvez, mesmo arrependido. É o retorno ao estado de miserabilidade característico de House no início da série.
Escurece a cena, House desapareceu e então vemos o Dr. James Wilson, o seu melhor amigo, no bar do hotel em que o diretor do Departamento de Diagnósticos está hospedado pelo período da sua fossa, ele fala com o barman, pergunta claramente sobre o paradeiro do House e sai do bar ao receber a informação. Embora esse momento ocorra em uma questão de segundos, tenho-o como de suma importância: é, assim como a última cena da quinta temporada, um atestado do valor que Wilson atribui a amizade com House — independente da situação, ele sempre está para apoiá-lo. E isso é admirável.
House retorna, ele está agora na varanda da suíte, se encaminha em direção à beirada da mesma, os sentimentos da cena inicial permanecem visíveis em seu rosto, ele sobe em um banquinho acolchoado, depois na grade de proteção, se segura no teto e olha para baixo e mesmo sabendo que ainda faltam alguns episódios para terminar a temporada, você não consegue evitar pensar algo como “É isso. Ele vai pular. Ele vai se matar. É o fim”. Eu sei que eu pensei.
Daí nós vemos Wilson andando pela multidão, procurando pelo amigo, ele percebe uma comoção, lança um olhar para onde todos estão olhando e descobre House em cima da grade de proteção, pronto para pular e pôr um fim a sua vida miserável e infeliz. Peter Gabriel grita “My body is a cage”, os instrumentos entoam uma melodia dramática e a desesperança no rosto de Wilson é quase palpável.
Um quase sorriso é esboçado no rosto de House, ele continua a olhar para baixo, não parece mais um homem a ponto de cometer suicídio, mas um paraquedista preste a saltar do avião, o seu organismo está abarrotado de noradrenalina e adrenalina, ele está entusiasmado, quer saber o que acontecerá a seguir e então ele dá o passo fatídico rumo ao nada. E cai. E Wilson grita “Não!”.
House também grita “Bola de canhão!”... E cai na piscina. Ele afunda, recupera o seu equilíbrio e sorri, é um sorriso genuíno com um único significado: ele encontrou uma razão para continuar vivendo. E isso é feliz. Ascende para a superfície, parte da multidão pula na piscina, Wilson vem à borda, olha para a varanda, fecha os olhos por um instante como quem está aliviado, daí fita o amigo e, compreensivelmente irritado, pergunta “O que diabo você está fazendo?”.
House: O que você faz quando você ganha?
Multidão: Festeja!
House: O que você faz quando você perde?
Multidão: Festeja mais ainda!
Wilson balança a cabeça e vai embora, deixando House festejando o término do seu relacionamento com Cuddy e o início de uma nova vida. Que tipo de vida será essa? Eu realmente não faço a menor ideia, entretanto confio no tato e na criatividade do David Shore, o criador da série.
Essa cena de quatro minutos e vinte segundos é, para mim, uma das mais fortes, no contexto emocional, da televisão. No seu decorrer, a audiência é bombardeada com uma gama de sentimentos que são intensificados pelo cover da música My Body Is A Cage por parte do Peter Gabriel (ex-Genesis), fazendo com que nos esqueçamos por um momento de que estamos diante de uma série de televisão e não um acontecimento da vida real — algo muito raro de ocorrer, eu devo acrescentar.
Enfim, é hora de desconstruir a cena:
Uma multidão de garrafas de bebida está disposta pelo chão, a dor de cotovelo proporcionada pelo rompimento com a Dra. Lisa Cuddy transforma-se em uma intensa dor física que se manifesta na perna enfartada do médico brilhante, ele toma um comprimido de Vicodin, medicamento ao qual era viciado e ficou sem ingerir durante dois anos, e lança um olhar derrotado, decepcionado, deprimido, solitário e, talvez, mesmo arrependido. É o retorno ao estado de miserabilidade característico de House no início da série.
Escurece a cena, House desapareceu e então vemos o Dr. James Wilson, o seu melhor amigo, no bar do hotel em que o diretor do Departamento de Diagnósticos está hospedado pelo período da sua fossa, ele fala com o barman, pergunta claramente sobre o paradeiro do House e sai do bar ao receber a informação. Embora esse momento ocorra em uma questão de segundos, tenho-o como de suma importância: é, assim como a última cena da quinta temporada, um atestado do valor que Wilson atribui a amizade com House — independente da situação, ele sempre está para apoiá-lo. E isso é admirável.
House retorna, ele está agora na varanda da suíte, se encaminha em direção à beirada da mesma, os sentimentos da cena inicial permanecem visíveis em seu rosto, ele sobe em um banquinho acolchoado, depois na grade de proteção, se segura no teto e olha para baixo e mesmo sabendo que ainda faltam alguns episódios para terminar a temporada, você não consegue evitar pensar algo como “É isso. Ele vai pular. Ele vai se matar. É o fim”. Eu sei que eu pensei.
Daí nós vemos Wilson andando pela multidão, procurando pelo amigo, ele percebe uma comoção, lança um olhar para onde todos estão olhando e descobre House em cima da grade de proteção, pronto para pular e pôr um fim a sua vida miserável e infeliz. Peter Gabriel grita “My body is a cage”, os instrumentos entoam uma melodia dramática e a desesperança no rosto de Wilson é quase palpável.
Um quase sorriso é esboçado no rosto de House, ele continua a olhar para baixo, não parece mais um homem a ponto de cometer suicídio, mas um paraquedista preste a saltar do avião, o seu organismo está abarrotado de noradrenalina e adrenalina, ele está entusiasmado, quer saber o que acontecerá a seguir e então ele dá o passo fatídico rumo ao nada. E cai. E Wilson grita “Não!”.
House também grita “Bola de canhão!”... E cai na piscina. Ele afunda, recupera o seu equilíbrio e sorri, é um sorriso genuíno com um único significado: ele encontrou uma razão para continuar vivendo. E isso é feliz. Ascende para a superfície, parte da multidão pula na piscina, Wilson vem à borda, olha para a varanda, fecha os olhos por um instante como quem está aliviado, daí fita o amigo e, compreensivelmente irritado, pergunta “O que diabo você está fazendo?”.
House: O que você faz quando você ganha?
Multidão: Festeja!
House: O que você faz quando você perde?
Multidão: Festeja mais ainda!
Wilson balança a cabeça e vai embora, deixando House festejando o término do seu relacionamento com Cuddy e o início de uma nova vida. Que tipo de vida será essa? Eu realmente não faço a menor ideia, entretanto confio no tato e na criatividade do David Shore, o criador da série.
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