
Aquele era o ponto sem retorno. Os acólitos, transmutados em Darth Vader, brandiram as suas alabardas, posicionando-se para descrever golpes letais e distintos que, dada sua formação, cobririam todos os ângulos de defesa, portanto, impossibilitando qualquer Jedi — exceto, talvez, o Grande Mestre — de obter êxito em bloquear todas as ofensivas.
Entretanto, a ideia de sequer tentar executar tal feito, ao invés disso, ele se agachou, segurou, firmemente, no solo, dissipou os seus pensamentos, esvaziando sua mente, admitindo o preenchimento do seu íntimo pela Força, intensificando a sua conexão com esta, assim, conseguindo capturar os acólitos em um campo de influência, plenamente, dominado pelos seus poderes, nulificando qualquer autoridade que estes alguma vez tivessem tido sobre os seus corpos e, então, os empurrou, violentamente, para longe, lançando-os em rota de colisão com as paredes do templo subterrâneo e causando a evaporação da sua consciência, algo que, por sua vez, cessou a ilusão de Darth Vader ao seu redor. Ben Skywalker havia vencido.
O Jedi concedeu sua plena atenção ao Alto-Sacerdote de Atoa, o qual, para sua surpresa, possuía um largo sorriso no rosto e batia palmas — ele parecia, genuinamente, estar satisfeito com as ações do jovem Skywalker apesar de, segundos atrás, aparentar ter tido o seu ser consumido pelo desejo de matá-lo devagar e dolorosamente. Estaria a sanidade de Lorde Nazler comprometida pela influência do Lado Sombrio?
— Nada menos do que aquilo esperado do meu aprendiz, jovem Skywalker — o Alto-Sacerdote pôs suas mãos dentro do seu traje preto, ele retirou os dois sabres-de-luz capturados e os depositou, cuidadosamente, no chão, desse modo, tornando possível para Ben obtê-los com um simples gesto telecinético. — Complete a sua descida pela espiral do Lado Sombrio da Força, pegue as suas armas, ataque-me, dilacere-me, vingue-se de mim, deixe que os seus sentimentos fluam, livremente, por você... Ódio, fúria, ressentimento, sim, eu posso senti-los, ah, são sentimentos tão fortes! Use-os!
Ben, por intermédio da Força, recuperou a posse dos sabres-de-luz, prendeu o de Vestara no seu cinto, projetou a lâmina azul-esbranquiçada da sua arma, contudo não alterou sua posição para uma das de combate.
— Você nunca entenderá, não é? — ele disse. — Eu sou um Cavaleiro Jedi assim como o meu pai antes de mim e o seu pai antes dele — estendeu a lâmina luminosa para o Alto-Sacerdote. — Lorde Colric Nazler, Vossa Santidade está presa por conspirar contra a Aliança Galáctica, por favor, renda-se e venha comigo. Pacificamente, se possível.
O rosto do Alto-Sacerdote transformou-se em um dotado de seriedade impassível.
— Essa é a sua decisão final, jovem Skywalker?
— Sim.
— Muito bem — Lorde Nazler ocultou o seu rosto com a Máscara de Darth Nihilus e, do interior das suas vestes, apanhou um terceiro sabre-de-luz, uma produção sua. — Eu farei aquilo que tiver de fazer — a sua lâmina vermelho-escura iluminou parte do templo subterrâneo. — Prepare-se para ser destruído, jovem Skywalker.
Ben meneou a cabeça.
— Dê-me o seu pior.
Lorde Nazler, com a proficiência de um homem muito mais jovem, descreveu um salto circular em direção a Skywalker, desferiu um golpe diagonal com a sua lâmina que se viu contida por aquela projetada pelo sabre-de-luz do adversário, a colisão desencadeou um clarão responsável por iluminar, brevemente, toda a extensão do templo subterrâneo, mais e mais desses lampejos ocorreram conforme as lâminas colidiam uma com a outra, o Jedi e o Alto-Sacerdote, assistido pelo espírito do Lorde da Fome, pareciam estar, igualmente, equiparados, cada golpe de um era correspondido por um contra-ataque do outro e, assim, o embate feroz perdurou.
Ben usou a Força para lançar alguns escombros em cima do adversário, aproveitou o tempo ganhado para mover-se rumo à escadaria do local, empurrou à porta pesada com um toque telecinético, saltou de dois em dois degraus na intenção de chegar à superfície o mais rápido possível, adentrou em um dos muitos túneis dali, andou mais um pouco e, ao sentir um alerta de perigo na sua mente, virou-se, velozmente, para trás, contendo, desse modo, a lâmina do Alto-Sacerdote, o qual, pelo visto, havia caído, ainda que parcialmente, na armadilha do jovem Skywalker.
Lorde Nazler, embora sensível a Força, havia dependido, solenemente, da Máscara de Darth Nihilus durante toda a sua vida, portanto, as suas habilidades inatas estavam longe de serem as melhores, logo, se ele tivesse de focar a sua atenção em, por exemplo, conter o desabamento de um túnel inteiro sobre si, criaria a oportunidade ideal para Ben destruir a máscara e, consequentemente, qualquer ameaça real apresentada pelo Alto-Sacerdote e ainda garantiria a libertação das mentes dos atoanos.
O teto do túnel, com a menor provocação telecinética, trincou e começou a ruir, colapsando sobre a cabeça de Colric Nazler que, para a surpresa de Skywalker, não tentou conter os destroços, optando, ao invés disso, tomar controle destes e, então, atirá-los contra o seu adversário, efetivamente, virando a armadilha de Ben contra Ben, uma virada dramática de eventos, o Jedi empregou toda sua concentração para evitar ter o seu corpo soterrado e, em decorrência disso, descobriu-se uma presa fácil para o Alto-Sacerdote, o qual não demorou em encurtar a distância entre eles e daí descreveu um arco vermelho-escuro na direção do peito de Skywalker, um movimento que teria sido fatal caso Ben não houvesse pensado rápido, aquiescido à queda de uma parte do teto no minúsculo espaço ainda existente entre o seu peito e a lâmina, então tomado um impulso giratório para longe dos destroços, aterrissando à esquerda do Alto-Sacerdote e, por fim, executando uma combinação letal de técnicas que, essencialmente, pôs um fim ao combate: um cho mok duplo ao amputar o braço esquerdo e a perna direita do adversário, um shiim ao transpassar o seu joelho com o sabre-de-luz e, por último, um cho mai quando seccionou a mão direita de Nazler, tomando, em seguida, posse da sua arma.
Ben desligou o seu sabre-de-luz e, calmamente, dirigiu-se na direção oposta a do túnel colapsado, nada poderia ser feito para salvar a vida do atoano, então, o seu único objetivo agora era encontrar outra saída e, uma vez reunido com Vestara, abraçá-la e beijá-la como se não houvesse um amanhã. Era isso.
Ou assim ele acreditava.
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