domingo, 20 de novembro de 2011

Star Wars: Herança XI



Lar’Gustar. No passado, a principal cidade de Atoa, sua capital e um testemunho do esplendor da sua civilização... Hoje em dia, o seu território consiste de um amontoado de escombros foscos repletos de restos mortais e contendo uma forte impressão do Lado Sombrio da Força implantada naquele local pelo arauto da sua destruição: Darth Vader.

Por entre as suas ruínas, um Colric Nazler ainda menino descobriu a entrada secreta para um templo subterrâneo, uma construção milenar remanescente da Antiga República em cujo interior jazia um artefato, profundamente, ligado às forças do Lado Sombrio: a Máscara de Darth Nihilus, o Sith intitulado de o Lorde da Fome que ocasionou a devastação do planeta Katarr, consumindo, vorazmente, a energia da Força presente em cada singelo habitante dali exceto por uma Miraluka, Visas Marr, a qual participou da sua queda diante da Jedi Exilada.

Um fragmento do espírito do Lorde Sith, contudo, permaneceu fixado em sua máscara profana e estendeu a sua influência à mente do jovem Nazler, convertendo-o, então, no principal instrumento do seu plano maléfico: consumir a Força em sua plenitude. Durante anos, o Alto-Sacerdote havia servido o espírito de Darth Nihilus com impecabilidade, entretanto era chegado o momento daquele hospedeiro ser descartado, cedendo a sua posição para um utente da Força mais jovem e, infinitamente, mais talentoso: Ben Skywalker seria metamorfoseado no receptáculo de Darth Nihilus.

O ritual aconteceria no templo subterrâneo no qual Visas Marr havia escondido aquela máscara nefasta e Lorde Nazler, enaltecido pelo seu mestre oculto, regeria a cerimônia. Seus acólitos, doze deles, acorrentaram Skywalker no centro de um círculo vermelho-escuro cuja periferia era preenchida por uma miríade de símbolos característicos da abominável Alquimia Sith, ali, os subordinados do Alto-Sacerdote, possuíam duas funções: assegurar a permanência do Jedi nas delimitações da insígnia profana e, então, terem a sua ligação com a Força absorvida pelo Lorde Fome tão logo este houvesse destruído o espírito do ancestral de Darth Vader. Lorde Nazler, inclusive, também seria transformado em alimento para tal aberração do Lado Sombrio da Força.

Ben, é claro, desconhecia a verdadeira razão da sua presença naquele local infestado pelo Lado Sombrio. Para ele, o Alto-Sacerdote pretendia torturá-lo para, então, distorcer a sua mente, moldá-la de acordo com a sua vontade e, por fim, convertê-lo em seu aprendiz, o qual seria o último passo antes de sinalizar o início da invasão atoana ao resto da galáxia, um ato que não encontraria a menor resistência por parte dos outros habitantes do planeta Atoa: todos eles, assim como descoberto por Ben e Vestara há algumas noites, tinham tido as suas mentes dominadas pelo Lorde Nazler e, secretamente, pelo Lorde da Fome. Seria um massacre se aquela aberração incorpórea do Lado Sombrio não fosse obliterada de uma vez por todas.

O Alto-Sacerdote entoou um cântico na antiga linguagem Sith, os símbolos reagiram às suas palavras, provocando a aparição de minúsculos relâmpagos pretos-e-vermelhos cujas faíscas geraram doses mínimas, porém incômodas de dor ao tocaram a pele de Ben Skywalker, o qual tinha o seu corpo ensopado por gotas de suor, seu coração batia muito acelerado, como se quisesse saltar para fora do seu peito, ele respirava ofegante, sentia uma escuridão assombrosa cercando o ambiente ao seu redor, era sufocante e, então, viu-se transportado á força para um mundo onírico situado no seu subconsciente quando a Máscara de Darth Nihilus desprendeu-se, repentinamente, do rosto de Lorde Nazler e acoplou-se na sua face, enraizando-se à sua pele, o que lançou uma corrente excruciante de dor por todo o seu corpo.

Uma figura cuja aparência era um tanto similar a de um rancor dispunha-se, ameaçadoramente, perante Ben, aquilo era — sem a menor sombra de dúvida — a manifestação onírica do espírito do Lorde da Fome e, dada a quantidade de saliva secretada pelas suas mandíbulas, parecia fazer jus ao seu título. O rancor avançou em direção a Skywalker, determinado a devorá-lo com uma bestialidade descomunal, o Jedi, atordoadíssimo pelo tormento oriundo da realidade, descobriu-se, completamente, inapto a realizar qualquer movimento exceto o de cobrir a cabeça com os seus braços e prender a respiração enquanto aguardava pela destruição da sua mente pelas mandíbulas daquela criatura grotesca.

— Está tudo bem — uma vez serena anunciou.

Ben abaixou os seus braços e viu-se boquiaberto diante daquela cena: o rancor, a encarnação de Darth Nihilus, jazia derrotado no chão e, ao seu lado, estava o responsável pela sua subjugação — um velho Jedi cujas feições remetiam as do Grande Mestre. Sim, era ele. Só podia ser ele.

— Eu me desvencilhei das trevas, Ben — disse. — Você nunca deverá temer a minha lâmina — tocou a testa do seu ancestral. — Agora, vá.

O mundo onírico dissipou-se como um fiapo de fumaça e, assim, o herdeiro de Skywalker e de Kenobi descobriu-se de volta à realidade, as suas correntes estavam arrebentadas, o emblema alquímico fora danificado por uma rachadura no solo, os acólitos empunhavam as suas alabardas e Lorde Nazler, segurando a máscara do seu mestre enfraquecido, apresentava uma expressão de fúria assassina no seu rosto — Ben Skywalker deveria morrer.

Os doze acólitos contraíram a imagem de Darth Vader, a qual, até então, havia funcionado, impecavelmente, para atenuar as habilidades do Jedi, o qual, em decorrência dos seus pesadelos, criara um complexo psicológico, associando a figura daquele seu ancestral com a impossibilidade de vitória.

Não mais.

— Se eu estivesse no seu lugar, Lorde Nazler, eu teria um mau pressentimento sobre isso.



AVISO! Contém spoilers da saga literária mais recente de Star Wars, Fate of the Jedi, e da HQ Darth Vader and The Lost Command.

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