Ele entregou sua mão à namorada, permitindo que ela o conduzisse por entre as tendas daquele festival, eventualmente, alcançando a de uma cigana, a qual dizia possuir uma bola de cristal capaz de mostrar o futuro de quem quer que a vislumbrasse. O rapaz, embora muito cético, pagou a taxa cobrada por aquela exótica mulher e, ao fitar o objeto místico, empalideceu. Havia, no decorrer de três segundos, descoberto que sequência de acontecimentos causaria a sua morte dali a um mês.
Afundou-se em depressão na primeira semana, enrijeceu-se de coragem e esperança na posterior a esta e dedicou a penúltima semana do mês à nulificação dos elementos causadores do seu padecimento: o gato na árvore, o coelho de brinquedo, o táxi das 21 horas e o bilhete de loteria. Ele, então, comemorou a sua vitória sobre a fatalidade na quarta semana.
O cachorro solto, o polvo de pelúcia, o carro vermelho e o frasco de vidro.
Sua casa inundou em chamas, todos fugiram... Com sua exceção. Ele sabia o que era aquilo. Engoliu em seco e andou em direção ao fogo, observando o progressivo desaparecimento das cores do mundo ao seu redor até o momento em que tudo se tornou preto-e-branco e o Ceifador Implacável dispôs-se perante ele. Havia entrado no Domínio da Morte.
Uma mão esquelética, aquela que não empunhava uma foice intimidadora, indicou a presença de duas poltronas com um tabuleiro de xadrez sobre uma mesa entre estas. O psicopompo tomou o assento situado atrás do exército preto, comandando-o em uma feroz investida contra as peças brancas lideradas pelo rapaz. Nenhum adversário emitiu qualquer palavra, contudo era sabido que o prêmio daquela partida era a vida do rapaz.
E, com uma jogada audaz, ele recuperou a sua vida.
As cores retornaram ao mundo e o rapaz fez um juramento: da próxima vez, ele estaria preparado.
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