segunda-feira, 29 de agosto de 2011

O início do recomeço


Eu cheguei atrasado, quinze minutos depois de o meu turno ter começado, escutei uma bronca do chefe dos garçons enquanto vestia o meu uniforme e fui trabalhar, plenamente, consciente de que seria o último a sair naquela noite, teria de ficar para limpar o bar, mas tudo bem, ao menos eu teria algo para ocupar a minha mente, me distraindo, assim, da lembrança do fracasso.

Não conte para ninguém, mas a verdade é que eu passei o mês passado inteiro lutando por uma vaga de estágio em um escritório de advocacia, tive sucesso em alcançar a última fase eliminatória e, bem... Eu morri na praia, como diz aquele velho ditado.

— O que aconteceu com você, rapaz? — perguntou Cachorro Louco, ingerindo sua última dose de uísque antes de ir embora do bar já fechado.

— Nada demais, senhor — eu respondi. — Eu só estou um pouco cansado.

— Entendo. É um trabalho fatigante, o de vocês.

As minhas cordas vocais, então, agiram sem pedir permissão ao meu cérebro.

— Ei, senhor, alguma vez o senhor já esteve tão perto de conseguir algo que podia, literalmente, sentir o cheiro da vitória, mas isso acabou escapulindo por entre os seus dedos?

Cachorro Louco nem hesitou antes de me responder.

— Eu amei uma mulher quando tinha a sua idade, ela era linda e nós íamos nos casar, mas, então, ela me trocou por outro carinha, um dramaturgo. Deus! Eu pensei que nunca amaria de novo, daí outra mulher cruzou o meu caminho e eu soube que sempre poderia encontrar alguém para amar — ele pousou uma mão reconfortante e paterna sobre o meu ombro. — Não se preocupe com isso, rapaz. O que quer que você tenha perdido; algo melhor está vindo. Acredite.

Uma continuação, de certo modo, do texto Festa.

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