quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Uma quinta-feira abafada


Era uma quinta-feira quente, ou melhor, abafada de setembro, o sol poente tingia à tarde de laranja e azul-escuro, a lua preparava-se para tomar o seu lugar no céu e o brilho de algumas estrelas já podia ser observado. Ela vinha andando pela rua depois de um dia, particularmente, estressante na universidade, tinha o peso de uma tonelada de trabalhos e seminários nas suas costas, procurava por um emprego na intenção de juntar dinheiro para comprar um carro e praguejou uma miríade de palavrões quando dois moleques-de-rua soltaram um assovio de “Gostosa!” para ela.

Inegavelmente, aquele dia estava longe de ser um dos melhores do ano e da vida. Ela dobrou na esquina da próxima, indo por uma calçada que, do lado direito, fazia fronteira com o muro alto de um pequenino parque ecológico negligenciado pelo seu corpo de funcionários, um fato evidenciado pelo crescimento dos galhos das árvores para além do muro e pelo minúsculo macaquinho caído no meio dos paralelepípedos, tinha pelo cinzento e parecia machucado.

Ela não era, exatamente, a pessoa mais emotiva do mundo, entretanto não conseguiu evitar sentir dó por aquele inofensivo ser peludo, envolveu-o em seus braços e o levou para casa, estudou cada centímetro quadrado do seu corpo diminuto a fim de descobrir o que havia de errado com ele, tratou do ferimento, minuciosamente, de acordo com a informação encontrada na Internet, deitou o adorável símio em um travesseiro ao lado da sua cama, afagou a sua cabecinha e desejou, ternamente, uma boa noite a ele.

O macaquinho, que, em sua língua, atendia pelo nome de Hanu, recuperou a consciência no meio da madrugada, despertando. Hanu, instintivamente, se levantou do travesseiro e subiu na cama da universitária adormecida, aninhando-se ao lado dela como uma criança faz com sua mãe, voltando, então, a dormir. Aquele era o seu lar.


-Texto inspirado, pedido e dedicado à Camila W.

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