
Na beirada de um penhasco banhado pela água salgada e enregelante do Mar do Norte, jaz um rústico castelo onde Sir Bedivere, o último cavaleiro remanescente da Távola Redonda original, faz sua resistência contra o domínio malévolo da Rainha-Bruxa.
Ali, o velho campeão reúne-se com um punhado de cavaleiros menores e camponeses corajosos que formam um exército com capacidade para retomar Camelot, entretanto qual é o sentido em reconquistá-la se não há um Rei para ocupar o trono? Um líder, um governante, um ídolo. É disso que a Irmandade do Castelo Cinzento carece.
A carência é conhecida pelo Senhor do Castelo que, finalmente, crê ter descoberto como saná-la. Em outra época, Sir Bedivere teria colocado a sua armadura e, então, partido para cumprir aquela missão, contudo sua envergadura foi atenuada pelo tempo, já não é um guerreiro, sua função é a de administrar, o de guiar os seus irmãos em direção ao seu objetivo.
Um pajem humilde traz três jovens ao encontro do velho cavaleiro, eles se ajoelham perante a sua nobre presença, surpreendem-se ao vê-lo, ainda com que alguma dificuldade, empunhando a sua lâmina e logo entendem a situação na qual se dispõe — aquele é o momento pelo qual esperaram durante toda a sua vida.
— Nós vivemos em tempos sombrios, meus queridos jovens, tempos que eu nunca desejei. A luz da esperança é fraca, todavia o seu brilho quente ainda pode ser sentido e eu decidi depositar os últimos resquícios da minha fé a luz dos seus valorosos corações!
Sir Bedivere ergueu sua espada reluzente, Galantine.
— Vocês juram servir a verdade, a justiça e a moral arthuriana?
— SIM!
— Vocês juram proteger o fraco, o conterrâneo e aquele ameaçado pela força do mal?
— SIM!
— Vocês juram lealdade absoluta ao Único e Eterno Rei?
— SIM!
— Ergam-se como a esperança do futuro! Os novos Cavaleiros da Távola Redonda!
Os jovens ergueram-se cavaleiros — Sir Bors, Sir Percival e Sir Galahad — e partiram naquela mesma noite para a sua primeira missão. De sua janela, Sir Bedivere os observava com melancolia em sua face.
— Por que tão triste, meu amor? — sua senhora pergunta.
— Eu mandei três crianças para a morte, minha querida — ele esboça um sorriso cansado e culpado. — Como eu poderia sequer fingir felicidade?
Uma sequência direta de Um conto arthuriano (iii): Um amor sacrificado.
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