
Christopher é um menino de seis anos e ele, sendo contrário aquilo dito, constantemente, pela sua mãe, pretende atravessar a rua sem olhar para os dois. O menino pisa no asfalto, entretanto é, violentamente, puxado de volta à calçada, desse modo, evitando ser atropelado por um carro grande e importado; ao olhar para cima, ele descobre a identidade da sua salvadora: uma velha senhora envolvida por um suntuoso vestido preto que o fita com carinho, abre a sua bolsa, entrega ao menino um antiquíssimo relógio prateado parado em uma data distante e vai embora.
Naquela noite, uma noite tempestuosa de setembro, ela tem uma morte silenciosa e serena na solidão do seu apartamento, morre com um sorriso contente esboçado em seu rosto.
Uma década mais tarde, Christopher é um adolescente curioso dotado de um intelecto brilhante, sua maior paixão é a Química, ele se entretém solucionando as atividades dos livros-textos, realizado experiências modestas e também sonhando em transformar o seu hobbie em uma carreira. É por isso que troca uma oportunidade de dormir até o meio-dia em um sábado ensolarado para ir a uma convenção na principal universidade da região onde atende a uma palestra ministrada por uma doutora em Química Orgânica por quem começa a nutrir uma profunda admiração.
Termina a palestra, os atendentes retiram-se do auditório, Christopher está entre eles, porém tem a sua saída interrompida por uma mão feminina que o puxa para trás, ao virar-se, o jovem estudante depara-se com a doutora, ela lhe lança um belo e sedutor sorriso, sente-se, genuinamente, feliz em vê-lo, então, beija o seu rosto, deixando uma marca do seu batom vermelho e desaparece na multidão. Christopher não entende, inteiramente, o que aconteceu ali, no entanto guarda tal memória como um tesouro precioso.
É a noite da formatura de Christopher, agora um bacharel em Química com um futuro promissor, ele é, inclusive, o orador da turma, profere um discurso emocionante, é ovacionado pelo salão e exibe o seu diploma com triunfo. Ele troca a beca por um terno preto elegante, então, se junta à festa com sua família e os seus amigos, come, bebe, diverte-se, gargalha sem parar, aquela é a noite mais feliz da sua vida e, repentinamente, o seu mundo é mudado para sempre — é como uma cena de filme: Christopher a vê do outro lado do salão, o tempo parece congelar e não há mais ninguém ali exceto por ele e por ela. Um anda em direção ao outro, vislumbram-se, circulam-se e beijam-se. É amor em sua pura essência.
Christopher, finalmente, terminou o seu pós-doutorado, retorna para casa para comemorar e é recebido por uma jovem adolescente de mais ou menos quinze anos. Ela não é a sua filha, porém a sua mulher. O tempo passou, ele envelheceu, ela rejuvenesceu e o amor metamorfoseou-se sem perder a sua pureza, a jovem o tem, agora, como o ama como um pai, contudo sem jamais esquecer-se do seu passado, permanece ao seu lado durante o resto dos seus anos, segura a mão do velho senhor em seu momento derradeiro e debulha-se em lágrimas quando ele, finalmente, dorme o sono eterno. É uma garotinha com um relógio prateado parado no dia da morte do seu grande amor.
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