sábado, 28 de julho de 2012

The Dark Knight Rises


Bruce Wayne (Christian Bale), em The Dark Knight, disse “Eu acredito em Harvey Dent”. Bem, eu nunca acreditei no Dent (Aaron Eckhart), pois já tinha lido The Long Halloween e Dark Victory antes de o filme ter lançado, contudo eu confio no Christopher Nolan e ele, certamente, fez jus a esta confiança com The Dark Knight Rises.

O filme é baseado nas HQs Dark Victory, Knightfall e No Man’s Land e dá continuidade a dois temas apresentados no final do segmento anterior: os frutos da mentira encabeçada pelo Cavaleiro das Trevas e sustentada pelo Comissário Gordon (Gary Oldman) para manter a imagem incorruptível do Duas-Caras e o tormento causado pela morte de Rachel Dawes (Maggie Gyllenhaal) ao Batman, o qual, oito anos após o ocorrido, reduziu-se a uma sombra do seu “eu” antigo, tornando-se um homem recluso e aleijado tanto emocional quanto fisicamente.

Este aleijamento do personagem é, por sinal, um dos principais temas abordados durante o filme, Wayne perdeu a vontade de viver, aceitou não ter mais um futuro e agora conta, lentamente, os seus dias com ninguém ao seu lado senão o fiel Alfred Pennyworth (Michael Caine). É interessante destacar a forte química existente entre Bale e Caine que, realmente, conseguem “vender” a ideia de que se importam de verdade um com o outro.

Há também uma sincronia entre Bale e Anne Hathaway (no papel de Selina Kyle/Mulher-Gato). Eu, em particular, não me senti muito convencido pela atuação de Hathaway apesar de ela estar ótima como de costume, além do mais, devo aplaudir a maneira como a sua personagem é usada no filme para iniciar o fim da inércia de Wayne, sendo ela a primeira razão pela qual ele veste o manto no filme.

No entanto, quem põe um fim definitivo à aposentadoria do Homem-Morcego é o vilão Bane (Tom Hardy) que, embora não tão carismático quanto o Coringa do falecido Heath Ledger, conseguiu ser um excelente antagonista para trama. Não sei se foi à intenção de Nolan, porém eu notei que estes dois vilões do Nolanverse são como Yin & Yang: o Coringa é, em suas próprias palavras, um agente do caos, um cão correndo atrás de um carro, ele só quer ver o circo pegar fogo enquanto que Bane, por outro lado, é um planejador: ele tem um objetivo em mente e executa, pacientemente, cada singela etapa necessária para alcançá-lo, o que faz dele um igual ao Batman tanto em capacidade mental como em aptidão física, tornando-o, a meu ver, um vilão mais interessante e essencial para o outro tema abordado em The Dark Knight Rises, aquele que, por ser referido em seu título (“to rise”, “ascender”), leva-me a crer ser o tema principal: redenção.

Redenção de Gotham, de seu comissário, de Selina Kyle e, é claro, de Bruce Wayne que, finalmente, consegue seguir em frente com a sua vida, tornando-se (e eu faço questão de parafrasear as palavras de Gordon em TDK) o herói que Gotham precisa para pôr um fim ao reino de terror e anarquia causado por Bane e seus mercenários.

Logicamente, não posso deixar de mencionar o personagem de Joseph Gordon-Levitt, R. John Blake, um simplório policial (a priori) do Departamento de Polícia da Cidade Gotham que serve para representar a juventude idealista e, às vezes, um tanto impulsiva e falha presente em Gordon e no Batman nos filmes anteriores, algo feito por Gordon-Levitt com maestria: ele conseguiu NÃO ser um ajudante-de-herói (por falta de termo melhor) chato. Muitíssimo pelo contrário.

The Dark Knight Rises é uma obra-prima do cinema moderno que não somente merece o título de Filme do Ano como também deve ganhar aplausos por mudar, completamente, como serão feitos os filmes de super-heróis daqui para frente, são quase três horas de diálogos inteligentes em meio a cenas de ação alucinantes espaçadas em um roteiro envolvente e bastante sólido. Se TDK recebeu uma nota 10/10, então, este aqui merece um 12/10.

Nenhum comentário:

Postar um comentário