Há alguns anos, eu tinha ido ao Centur para estudar com uma amiga que, para “variar”, somente apareceu depois de uma hora de atraso. Nesse ínterim, vi-me completamente entediado, levantei da mesa e passeei por entre as estantes de livros da biblioteca do Centur, eventualmente, deparando-me com um livro velho desprovido de capa e cujas páginas já tinham amarelado e estavam repletas de orelhas.

Abri-o em uma página qualquer, pousando o meu olhar sobre um pequeno conto sobre dois homens que, durante as celebrações de Carnaval, decidiram ter a sua sorte lida por uma romani, a qual, então, declarou que, no amanhecer do dia posterior, os dois homens teriam as suas vidas ceifadas pelo impiedoso Espectro da Morte.

Um dos homens entrou em desespero, comprou uma pequenina nau, navegou para outra ilha, ancorou no porto e, ao pisar em terra firme, se deparou com o Espectro da Morte que, atônito, tratou de contar ao homem sobre como havia sido dito a ele que deveria viajar até ali para ceifar a sua alma, balançou sua foice e tomou a vida daquele pobre homem ao passo que o outro, seu amigo, aceitou o destino proferido pela romani e festejou noite adentro, despertando somente ao entardecer do outro dia e alegrando-se ao descobrir ainda estar vivo.
Eu fechei o livro, coloquei-o de volta na estante, sentei-me à mesa e falhei em silenciar uma risadinha que me rendeu um olhar bastante repreendedor da bibliotecária. Mas, ora, como não rir depois de ter lido aquilo? Eu vejo humor na ironia e, bem, não há ironia maior do que o homem ser o próprio arauto da sua destruição.
Nenhum comentário:
Postar um comentário