sábado, 6 de dezembro de 2014

Apenas um desabafo qualquer

Há muito tempo que eu não escrevo aqui. Na verdade, há muito tempo que eu não escrevo qualquer coisa. Toda santa vez é uma desculpa diferente. Ora, encrenco com a fonte (letra) do texto. Ora, acho que estou escrevendo porcaria. E, às vezes, poucas vezes, sinto que não quero escrever nada. Hoje, contudo, algo me fez sentar aqui na frente do notebook e escrever alguma coisa, qualquer coisa, mesmo um desabafo sem pé nem cabeça tal qual esse aqui. É preciso, afinal, exercitar o músculo para o mesmo não atrofiar.

Então, o ano de 2014 está chegando ao fim. Ao todo, não foi um dos melhores anos, muita gente querida atravessou a porta para o Outro Lado, o mundo parece um tanto mais sombrio sem contar com a sua presença, e o pior de tudo é que, com o tempo, essas pessoas, antes tão importantes, tornar-se-ão fantasmas esquecidos no fundo da mente que, raramente, têm o privilégio de se banhar na luz calorosa de nossa consciência e somente por um breve momento. Eu sinto falta de suas risadas, de suas piadas sem graça, dos seus trejeitos irritantes, de tudo. Odeio mudanças e, no entanto, compreendo sua necessidade, o que, por seu turno, não faz ter de lidar com estas uma tarefa mais fácil, pelo contrário.

Outro dia, eu tive um sonho engraçado. Descobri-me sentado em uma varanda, conversando com um amigo com o qual perdi o convívio há muito, muito tempo. Foi um episódio deveras agradável, embora ilusório, tencionou-me a acordar com um punhado de nostalgia no peito, por isso, aproveitei quando surgiu a oportunidade de visitar minha alma mater — a única instituição educacional onde eu fui, verdadeiramente, feliz em algum momento.

Andar por aqueles corredores tão familiares e, ao mesmo tempo, tão diferentes teve um efeito engraçado em mim, senti-me como um daqueles fantasmas do Harry Potter, eternamente confinado a um local, incapaz de seguir adiante, de sofrer qualquer mudança. Foi estranho e desconcertante, algo como acordar ao lado de alguém com quem você dividiu uma vida inteira e, de súbito, não reconhecer a face que retorna o seu olhar. Por conseguinte, lembrei-me de uma frase do Mickey em Rocky V:

“E a natureza é mais esperta do que as pessoas pensam. Pouco a pouco, nós perdemos os nossos amigos, nós perdemos tudo. Nós continuamos perdendo e perdendo até nós dizermos, você sabe, “Ah, por que diabos eu ainda estou vivo? Eu não tenho mais razão para continuar [...]”.

E, bem, é desse jeito que eu me sinto em relação àquele lugar: muito, não tudo, daquilo que fazia dele meu desapareceu, ou está desaparecendo. Não é o lar que eu conheci, e não pertence mais à mim, são sonhos, desejos, paixões e erros de outros que, agora, caminham para cima e para baixo por aqueles corredores. É impossível voltar atrás e, bem, talvez seja melhor assim. É melhor assim. Não há, afinal, motivo para viver se ficarmos parados em um mesmo lugar para sempre.

Exceto se você for uma árvore. (Se bem que o Groot perambulou bastante por aí).

E, para terminar, uma crônica. (Porque “cronicar” é vida):

Fe: Hoje passei o dia inteiro pensando em você. Ler o Jason e a Piper e o Percy e a Annabeth só contribuiu para isso.
Pr: Já, já, eu tô aí.
Fe: Arram. E eu me senti uma menininha adolescente pelo fato de ler o livro e pensar na minha amada com altos suspiros.
Pr: Bestinha! Eu te amo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário