Há muito tempo que eu
não escrevo aqui. Na verdade, há muito tempo que eu não escrevo qualquer coisa.
Toda santa vez é uma desculpa diferente. Ora, encrenco com a fonte (letra) do
texto. Ora, acho que estou escrevendo porcaria. E, às vezes, poucas vezes,
sinto que não quero escrever nada. Hoje, contudo, algo me fez sentar aqui na
frente do notebook e escrever alguma
coisa, qualquer coisa, mesmo um
desabafo sem pé nem cabeça tal qual esse aqui. É preciso, afinal, exercitar o
músculo para o mesmo não atrofiar.
Então, o ano de 2014
está chegando ao fim. Ao todo, não foi um dos melhores anos, muita gente
querida atravessou a porta para o Outro Lado, o mundo parece um tanto mais
sombrio sem contar com a sua presença, e o pior de tudo é que, com o tempo,
essas pessoas, antes tão importantes, tornar-se-ão fantasmas esquecidos no
fundo da mente que, raramente, têm o privilégio de se banhar na luz calorosa de
nossa consciência e somente por um breve momento. Eu sinto falta de suas
risadas, de suas piadas sem graça, dos seus trejeitos irritantes, de tudo.
Odeio mudanças e, no entanto, compreendo sua necessidade, o que, por seu turno,
não faz ter de lidar com estas uma tarefa mais fácil, pelo contrário.
Outro dia, eu tive um
sonho engraçado. Descobri-me sentado em uma varanda, conversando com um amigo
com o qual perdi o convívio há muito, muito tempo. Foi um episódio deveras
agradável, embora ilusório, tencionou-me a acordar com um punhado de nostalgia no
peito, por isso, aproveitei quando surgiu a oportunidade de visitar minha alma mater — a única instituição
educacional onde eu fui, verdadeiramente, feliz em algum momento.
Andar por aqueles
corredores tão familiares e, ao mesmo tempo, tão diferentes teve um efeito
engraçado em mim, senti-me como um daqueles fantasmas do Harry Potter,
eternamente confinado a um local, incapaz de seguir adiante, de sofrer qualquer
mudança. Foi estranho e desconcertante, algo como acordar ao lado de alguém com
quem você dividiu uma vida inteira e, de súbito, não reconhecer a face que
retorna o seu olhar. Por conseguinte, lembrei-me de uma frase do Mickey em Rocky V:
“E
a natureza é mais esperta do que as pessoas pensam. Pouco a pouco, nós perdemos
os nossos amigos, nós perdemos tudo. Nós continuamos perdendo e perdendo até
nós dizermos, você sabe, “Ah, por que diabos eu ainda estou vivo? Eu não tenho
mais razão para continuar [...]”.
E, bem, é desse jeito
que eu me sinto em relação àquele lugar: muito, não tudo, daquilo que fazia
dele meu desapareceu, ou está
desaparecendo. Não é o lar que eu conheci, e não pertence mais à mim, são
sonhos, desejos, paixões e erros de outros que, agora, caminham para cima e
para baixo por aqueles corredores. É impossível voltar atrás e, bem, talvez
seja melhor assim. É melhor assim. Não há, afinal, motivo para viver se
ficarmos parados em um mesmo lugar para sempre.
Exceto se você for uma
árvore. (Se bem que o Groot perambulou bastante por aí).
E, para terminar, uma
crônica. (Porque “cronicar” é vida):
Fe:
Hoje passei o dia inteiro pensando em você. Ler o Jason e a Piper e o Percy e a
Annabeth só contribuiu para isso.
Pr:
Já, já, eu tô aí.
Fe:
Arram. E eu me senti uma menininha adolescente pelo fato de ler o livro e
pensar na minha amada com altos suspiros.
Pr:
Bestinha! Eu te amo.
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