terça-feira, 23 de outubro de 2012

Apenas uma conversa como outra qualquer (... Ou não).


— Oi. Eu, ah, pensei que nós poderíamos conversar um pouquinho. Eu entendo que você passou por algumas coisas muito difíceis ultimamente, e... 

— Não OUSE me tocar! Esse é o teu plano, não é? Esperar até eu abaixar a minha guarda e aí você me segura e me leva de volta pra dentro a força! ... Alguém disse que quando você dá a tua palavra, você a mantém. Isso é verdade? ISSO É VERDADE?

— Sim. 

— Então eu quero a tua palavra, eu quero que você prometa que você não vai tentar me salvar a força... E que se eu pular... E se eu escolher pular; é a minha escolha. Você não vai tentar me segurar. Se você prometer isso, eu vou falar contigo. 

— Eu te dou a minha palavra. Eu não vou te segurar e eu não vou te impedir de pular contra a tua vontade. 

— Depois que eu enterrei a minha mãe; eu fiquei sozinha no meu apartamento e pensei... É isso? Quero dizer, isso é tudo que há? Trabalhando em um cubículo seis dias por semana até eu ficar velha demais para continuar fazendo isso, e daí eu morro? É isso mesmo? Nós estamos AQUI por isso? Qual é a LÓGICA disso? ... Quando eu me formei da escola, eu pensei — nós TODOS pensamos —, nós vamos sair daqui e fazer grandes coisas. Nós vamos mudar o mundo. SALVAR o mundo. Se alguém dissesse “Ei, você vai abastecer carros pelo resto da tua vidinha miserável”, ou “Melhor se acostumar a limpar banheiros, pois é isso que será o teu ganha-pão”, nós teríamos rido deles. ... NÃO É JUSTO! Nada disso é justo! E você não se ATREVA a dizer que é justo sim! 

— Eu não vou. Porque você está certa. Isso NÃO é justo. Syd Barret está morto e Kim Jong-iL ainda está vivo. Gandhi está morto, mas o Charles Manson continua respirando. Isso NÃO é justo. Mas não é INJUSTO também. É apenas... Assim

— É isso? Isso é o melhor que você pode fazer? “Não é nem justo nem injusto, é apenas assim”. 

— Porque essa é a verdade. Você estava certa quando disse que saiu da escola pensando que nós — todos nós — íamos salvar o mundo. E, às vezes, nós salvamos. E, outras vezes... Outras vezes, não. Daí você não pensa em salvar o mundo. Você pensa em salvar apenas uma pessoa. Porque, de vez em quando, isso é suficiente. Tudo que eu sei é que nós temos de tentar. É isso que a vida é. Nós tentamos. Nós confrontamos a escuridão. Nós... 

— Nós podemos... Não falar mais sobre isso por enquanto? Minha cabeça dói, eu estou chorando o dia inteiro. Eu só... Eu só quero descansar um pouco. 

— OK. Descanse. Eu estarei aqui para conversar quando você estiver pronta. 

... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... 

— Muitas pessoas lá embaixo... 

— Sim. Eu vi pessoas sentadas na calçada ainda pouco. Você tem certeza que quer fazer isso com eles? 

— Eu não sei... Eu sinto como se eu não soubesse mais NADA. Eu não sei o que fazer. 

— Posso fazer uma sugestão? Se você honestamente acredita em seu coração que você NUNCA mais terá um dia feliz... Então pule. Eu manterei a minha promessa. Eu não vou te segurar. Eu não vou tentar te impedir. Eu entendo. Eu posso não aprovar isso. Mas eu entendo. Contudo, se você achar que há uma CHANCE — não obstante da quão ínfima — de que poderá haver apenas mais UM dia feliz... Então pegue a minha mão. 

Ela respirou fundo. Ela ficou de pé. Ela olhou para ele. Ela tomou sua decisão.

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