
Era o dia do seu aniversário, um jantar, supostamente, surpresa o esperava dali a algumas horas, tudo que ele teria de fazer era terminar um pequeno serviço, então rumar para o seu apartamento, tomar um banho, vestir uma roupa adequada para o restaurante e daí comemorar na companhia de amigos e família, o que seria genuinamente divertido, ou assim deveria ser.
O seu melhor amigo, que trabalhava no escritório ao lado, apareceu na porta do cômodo, trazia um balde preenchido por gelo e duas garrafas alcoólicas e uma caixa de charutos de qualidade. Ele guardou o relatório no qual estava trabalhando, fez um gesto com a mão, convidando o melhor amigo a entrar no escritório, este último colocou, por um momento, os itens em cima da mesa, apertou a mão do aniversariante, lhe deu um abraço rápido e desejou um feliz aniversário, obtendo um “Obrigado” sincero.
Ele e o convidado seguiram para a varanda do local, acomodaram-se lado a lado em cadeiras confortáveis que ele havia comprado justamente com a intenção de se sentar ali para, cotidianamente, conversar e relaxar com o seu melhor amigo no decorrer de uma hora — ótima maneira de aliviar o estresse.
— Então, hoje é o seu aniversário — o melhor amigo disse. — Presentes, cartões, pessoas celebrando o fato de você ter conseguido sobreviver mais um ano — olhou para o vizinho de escritório. — Você deve estar absurdamente feliz.
— É, é. Eu devo estar — ele, fitando o horizonte banhado pela luz do crepúsculo, concordou.
— Exceto que você não está — soltou uma risada displicente. Depois de tanto tempo de convivência, quase duas décadas, podia lê-lo como se fosse um livro.
— Não acho que eu esteja — o aniversariante comentou. Expeliu um círculo de fumaça, observou-se se dissipar no ar e então voltou sua atenção para o melhor amigo. — Eu realmente não estou nem feliz nem entusiasmado, eu estou... — fez uma breve pausa. — Eu estou nada. Indiferente.
— O que você vai fazer? — o melhor amigo, recostando-se à cadeira, quis saber.
Ele tracejou um sorriso mesclado de incerteza e irresponsabilidade na sua face, o qual transmitia, claramente, a sua mensagem, “Nem Deus sabe”.
Terminou de beber e fumar com o melhor amigo, despediu-se dele do mesmo jeito que o havia cumprimentado, desceu para o estacionamento, entrou no seu carro, um modelo antigo dotado de uma pintura preta, girou a chave na ignição, subiu a rampa para a avenida, parou por um instante em um sinal vermelho e, ao invés de seguir em frente, desse modo, tomando o caminho que ia para a sua residência, dobrou à esquerda rumo à autoestrada.
Era o dia do seu aniversário, ele queria uma dose de diversão inusitada e, bem, algo assim era impossível de ser obtido durante uma festa surpresa que acontecia todos os anos desde o seu décimo oitavo aniversário. De vez em quando você não pode ter tudo o que quer e tem de fazer uma escolha — ele fez a dele.

O seu melhor amigo, que trabalhava no escritório ao lado, apareceu na porta do cômodo, trazia um balde preenchido por gelo e duas garrafas alcoólicas e uma caixa de charutos de qualidade. Ele guardou o relatório no qual estava trabalhando, fez um gesto com a mão, convidando o melhor amigo a entrar no escritório, este último colocou, por um momento, os itens em cima da mesa, apertou a mão do aniversariante, lhe deu um abraço rápido e desejou um feliz aniversário, obtendo um “Obrigado” sincero.
Ele e o convidado seguiram para a varanda do local, acomodaram-se lado a lado em cadeiras confortáveis que ele havia comprado justamente com a intenção de se sentar ali para, cotidianamente, conversar e relaxar com o seu melhor amigo no decorrer de uma hora — ótima maneira de aliviar o estresse.
— Então, hoje é o seu aniversário — o melhor amigo disse. — Presentes, cartões, pessoas celebrando o fato de você ter conseguido sobreviver mais um ano — olhou para o vizinho de escritório. — Você deve estar absurdamente feliz.
— É, é. Eu devo estar — ele, fitando o horizonte banhado pela luz do crepúsculo, concordou.
— Exceto que você não está — soltou uma risada displicente. Depois de tanto tempo de convivência, quase duas décadas, podia lê-lo como se fosse um livro.
— Não acho que eu esteja — o aniversariante comentou. Expeliu um círculo de fumaça, observou-se se dissipar no ar e então voltou sua atenção para o melhor amigo. — Eu realmente não estou nem feliz nem entusiasmado, eu estou... — fez uma breve pausa. — Eu estou nada. Indiferente.
— O que você vai fazer? — o melhor amigo, recostando-se à cadeira, quis saber.
Ele tracejou um sorriso mesclado de incerteza e irresponsabilidade na sua face, o qual transmitia, claramente, a sua mensagem, “Nem Deus sabe”.
Terminou de beber e fumar com o melhor amigo, despediu-se dele do mesmo jeito que o havia cumprimentado, desceu para o estacionamento, entrou no seu carro, um modelo antigo dotado de uma pintura preta, girou a chave na ignição, subiu a rampa para a avenida, parou por um instante em um sinal vermelho e, ao invés de seguir em frente, desse modo, tomando o caminho que ia para a sua residência, dobrou à esquerda rumo à autoestrada.
Era o dia do seu aniversário, ele queria uma dose de diversão inusitada e, bem, algo assim era impossível de ser obtido durante uma festa surpresa que acontecia todos os anos desde o seu décimo oitavo aniversário. De vez em quando você não pode ter tudo o que quer e tem de fazer uma escolha — ele fez a dele.

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