
Eu sonhei contigo de novo. Engraçado como isso tem
ocorrido com alguma frequência. Tenho para mim que tal sonho deu-se no mesmo
universo paralelo que o anterior, éramos jovens uma vez mais, entretanto ainda
não nos conhecíamos; de fato, este foi o conteúdo do sonho. De início, vi-me no
casamento de uma amiga do colégio, ela me parecia bastante feliz e tamanha
felicidade contagiou a todos nós, os convidados. Meu irmão também estava presente,
ele fumava — algo que estranhei, contudo deixei de comentar, talvez ele sempre
fosse um fumante naquele mundo — e conversava comigo sobre a relatividade do
tempo, sobre a maneira como o correr do tempo parece mudar conforme o momento.
E, para mim, ou, ainda, para o meu “eu” onírico, o tempo,
realmente, pareceu congelar quando ele te viu pela primeira vez, chegando
naquele casarão com um vestido branco e vermelho, tímida e um tanto quanto
enrubescida, os cabelos escuros soltos com rebeldia. Eu pude sentir na minha
própria pele o jeito como ele ficou estupefato ao te ver, confesso ter
gargalhado aqui, do “outro lado”, ao contemplá-lo tão nervoso e encabulado, admirado
com a graça do seu olhar.
Senti-o reunir coragem para ir ao seu encontro, tentando,
no caminho, descobrir o que fazer, o que dizer. Com um passo, a música findou,
com outro, a multidão desapareceu, então, nada restou além de ti, isto é, do “tu”
onírico, olhando para ele, perguntando-se se aquilo, realmente, estava acontecendo...
Não houve necessidade de palavras, meu gêmeo-de-sonho apenas pegou a tua mão e vocês
começaram a andar rumo à pista de dança e dançaram e dançaram. Eu gostaria de dizer
que dançaram bem, entretanto isso seria uma grande mentira.
Então, houve uma música lenta, uma balada, eu acho. Ele
te encarou além da carne, direto na alma e te beijou com reverência. Tu
beijaste de volta, felizmente. Ele perguntou o teu nome e te convidou para um
encontro e tu aceitaste com um sorriso estampado no rosto, um sorriso capaz de
transformar a noite em dia, de aquecer qualquer coração, de contagiar o mundo
com tamanha alegria.
E vocês dançaram e dançaram e dançaram.
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